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Alcoólicos Anónimos Grupo 1 de Maio


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Livro Azul Capítulo 9

A FAMÍLIA DEPOIS

As nossas mulheres sugeriram certas atitudes que podem ser tomadas com o marido que está em recuperação. Talvez elas tenham dado a impressão de que se deve envolvê-lo em algodão e colocá-lo num pedestal, mas o êxito do reajustamento é precisamente o contrário. Todos os membros da família devem encontrar uma base comum de tolerância, compreensão e amor. Isto implica um processo de deflação do ego. É provável que o alcoólico, a sua mulher, os seus filhos, os seus familiares, tenham cada um deles as suas ideias feitas sobre a atitude da família para consigo próprio. Cada um está interessado em que os outros respeitem a sua vontade. Achamos que, quanto mais um membro da família exige que os outros cedam aos seus desejos, mais ressentidos eles se tornam. Isto só contribui para a discórdia e infelicidade.
E porquê? Não será por cada um querer ser ele a mandar? Não estará cada um a tentar montar o espectáculo familiar à sua maneira? Não estará inconscientemente a procurar ver o que pode obter da família em vez do que pode dar?
Deixar de beber é apenas o primeiro passo para saír de uma situação altamente tensa e fora do normal. Um médico disse-nos: "Anos de convivência com um alcoólico transformam quase de certeza qualquer mulher ou filho em neuróticos. Toda a família está até um certo ponto doente". Ao começar a sua jornada, é preciso que os membros da família compreendam que nem tudo o que se lhes irá deparar será cor de rosa. Cada um poderá por sua vez cansar-se e extraviar-se. Surgirão atalhos e desvios tentadores por onde poderão vaguear e perder o rumo.
Suponha que lhe descrevemos alguns dos obstáculos que a família encontrará e lhe sugerimos como se pode evitá-los, convertendo-os até mesmo numa vantagem para os outros. A família de um alcoólico anseia pelo regresso da felicidade e da segurança. Lembram-se do tempo em que o pai era romântico, atencioso e um homem de êxito. A vida actual é comparada com a vida passada e, quando fica aquém disso, a família pode sentir-se infeliz.
A confiança que a família tem no pai aumenta. Pensam que, em breve, os bons velhos tempos estarão de volta. Por vezes exigem que o pai os faça voltar imediatamente! Crêem que Deus lhes deve esta recompensa como pagamento de uma dívida antiga. Mas o chefe de família passou anos a demolir a estrutura dos negócios, do amor, da amizade, da saúde, coisas essas que agora estão em ruínas ou danificadas. Remover os destroços levará o seu tempo. Embora os velhos edifícios venham a ser substituídos por outros melhores, serão precisos anos para completar as novas estruturas.
O pai sabe que é ele o culpado, mas pode levar anos de trabalho a restabelecer-se economicamente e a família não o deve censurar por isso. Talvez nunca mais volte a ter muito dinheiro, mas uma família sensata irá admirá-lo não pelas suas ambições materiais, mas sim pelo que ele se esforça por ser como pessoa.
De vez em quando a família será atormentada por fantasmas do passado, porque o percurso de quase todo o alcoólico é marcado por episódios cómicos, humilhantes, vergonhosos ou trágicos. O primeiro impulso será o de esconder estes esqueletos num armário escuro e fechá--lo a cadeado. A família pode estar obcecada pela a ideia de que a felicidade futura só poderá ser construída com base no esquecimento do passado. Achamos que uma tal opinião é egoísta e está em directo conflito com o novo modo de vida.
Uma vez Henry Ford observou com sabedoria que a experiência é o que há de mais valioso na vida. Isto só é verdade se a pessoa estiver disposta a aprender com os erros do passado. Crescemos pela nossa boa vontade de encarar e corrigir os erros convertendo-os em valores positivos. Assim, o passado do alcoólico torna-se no principal valor da família e é, com frequência, praticamente o único!
Este passado doloroso pode ser de um valor imenso para outras famílias que ainda se debatem com este problema. Consideramos que, cada família que foi libertada do seu problema, está em dívida para com aqueles que ainda não o foram e, sempre que for preciso, cada um dos seus membros deve dispor-se inteiramente a desenterrar os erros antigos, por mais que lhe custe. Mostrar a outros que sofrem como fomos ajudados é precisamente o que agora torna a vida tão valiosa para nós. Agarre-se à ideia de que, nas mãos de Deus, o seu passado sombrio é a sua maior riqueza - a chave da vida e da felicidade para os outros. Com esse passado pode evitar-lhes a morte e a infelicidade.
Em determinadas ocasiões podemos desenterrar erros passados que se tornam numa praga, num verdadeiro flagelo. Por exemplo, conhecemos situações em que o alcoólico ou a sua mulher tiveram ligações amorosas. No entusiasmo inicial duma experiência espiritual perdoaram-se mutuamente e aproximaram-se mais um do outro. O milagre da reconciliação parecia estar próximo. De repente, à mais pequena provocação, a pessoa ofendida desenterra o caso antigo e espalha com raiva as cinzas por todo lado. Alguns de nós passámos por estas dores do crescimento e sofremos muito com isso. Maridos e mulheres têm por vezes sido obrigados a separarem-se durante um tempo até poderem alcançar uma nova perspectiva e uma nova vitória sobre o amor próprio ferido. Na maioria dos casos, o alcoólico sobreviveu a esta prova sem recaír, mas nem sempre. Somos portanto da opinião que não se devem discutir factos passados, a não ser por um motivo sério e útil.
Nós, as famílias dos Alcoólicos Anónimos, guardamos poucos esqueletos no armário. Cada um conhece os problemas de alcoolismo dos outros. Numa vida normal, uma tal situação poderia provocar um sofrimento incalculável; poderia dar origem a boatos escandalosos, troça à custa de outros e a uma tendência para tirar vantagem de assuntos de carácter íntimo. Entre nós estes casos são muito raros. Falamos na realidade muito uns dos outros, mas quase invariavelmente moderamos estas conversas com um espírito de amor e de tolerância.
Um outro princípio que seguimos cuidadosamente é o de não contar experiências íntimas de outra pessoa, a não ser que tenhamos a certeza de que ela o aprova. Achamos preferível limitarmo-nos às nossas próprias histórias, sempre que possível. Uma pessoa pode criticar-se ou rir de si mesma, o que causará um efeito favorável nos outros mas, se a crítica ou o ridículo vem de outros, isso produzirá frequentemente um efeito contrário. Os membros de uma família devem dar particular atenção a estas questões, porque uma observação feita sem cuidado e sem consideração pode, como se sabe, dar origem a um verdadeiro inferno. Nós, os alcoólicos, somos pessoas sensíveis e, para alguns de nós, superar esta desvantagem leva muito tempo.
Muitos alcoólicos são pessoas entusiastas. Passam de um extremo a outro. No princípio da sua recuperação, o alcoólico tomará geralmente uma das duas direcções: ou mergulha a fundo numa tentativa frenética para endireitar a sua vida de trabalho ou pode ficar de tal modo fascinado com a sua nova vida que não fala nem pensa noutra coisa. Em ambos os casos surgirão determinados problemas na família. Temos passado por estas experiências muitíssimas vezes.
Achamos perigoso que o alcoólico se atire de cabeça para o seu problema económico. Isto também irá afectar a família, a princípio agradavelmente, ao sentir que a solução dos problemas de dinheiro está para breve, e mais tarde de um modo menos agradável, ao sentir-se esquecida. O pai pode estar cansado à noite e preocupado durante o dia. Poderá dar pouca atenção aos filhos e mostrar-se irritado se o criticarem pelas suas negligências. Se não se mostrar irascível, poderá parecer chato e maçador em vez de alegre e afectuoso como a família gostaria que ele fosse. A mãe poderá queixar-se de falta de atenção. Sentem-se todos desiludidos e fazem-lhe sentir isso muitas vezes. À medida que surgem estas queixas, cresce uma barreira. Ele põe todo o seu esforço para recuperar o tempo perdido. Empenha-se em reaver a fortuna e reputação e acha que está a fazer o que é certo.
Às vezes a mãe e os filhos não são dessa opinião. Esquecidos e maltratados no passado, acham que o pai lhes deve mais do que estão a receber. Querem mesmo que ele lhes dê mais atenção. Esperam que ele lhes proporcione os bons momentos que costumavam ter antes de ele começar a beber tanto e que mostre o seu arrependimento pelo que sofreram. Porém o pai não se dá por completo à família. O ressentimento cresce e ele torna-se ainda menos comunicativo. Por vezes explode por uma insignificância. A família fica desorientada e critica-o, fazendo-lhe notar que está a descuidar o seu programa espiritual.
Este tipo de situação pode ser evitado. Tanto o pai como a família estão errados, embora haja razões de ambos os lados. De pouco serve discutir e só piora a situação de impasse. A famíla tem de compreender que, embora o pai tenha melhorado extraordinariamente, ele ainda está convalescente. Deveriam estar agradecidos por ele estar sóbrio e ser novamente capaz de fazer parte deste mundo. Deveriam elogiar os seus progressos e lembrarem-se de que a bebida causou toda uma série de estragos que possivelmente levarão muito tempo a reparar. Se se aperceberem disto, não levarão tão a sério os seus períodos de mau humor, de depressão ou de apatia, que irão desaparecer quando houver tolerância, amor e compreensão espiritual.
O chefe de família tem de compreender que ele é o principal culpado pelo que aconteceu à família. A sua vida inteira não será suficiente para saldar a sua dívida, mas ele tem de ver o perigo que corre em concentrar-se damasiado no seu êxito financeiro. Embora a recuperação financeira esteja em vias de se concretizar para muitos de nós, percebemos que não podíamos colocar o dinheiro em primeiro lugar. Para nós, o bem-estar material vem depois do progresso espiritual; nunca o antecede.
Uma vez que foi o lar que ficou mais afectado do que tudo o resto, é preciso que o alcoólico se esforce mais neste aspecto. Se ele não conseguir manifestar carinho e ausência de egoísmo na sua própria casa, é natural que não faça quaisquer progressos noutros domínios. Sabemos que há mulheres e famílias difíceis, mas a pessoa que está em recuperação do alcoolismo tem de se lembrar que contribuiu grandemente para isso.
À medida que cada membro de uma família onde existem ressentimentos começa a aperceber-se dos seus defeitos e os admite perante os outros, ele estabelece uma base para um diálogo positivo. Estas conversas na família serão construtivas se for possível tê-las sem discussões acaloradas, sem autopiedade, sem autojustificação ou críticas ressentidas. A pouco e pouco, a mãe e os filhos verão que pedem demais, e o pai verá que dá muito pouco. Dar, em vez de receber, tornar-se-á o princípio de orientação.
Suponhamos, por outro lado, que o pai tem à partida uma arrebatadora experiência espiritual. De uma dia para o outro, por assim dizer, ele fica outro homem. Toma-se de entusiasmo pela religião. Não se consegue concentrar em mais nada. A partir do momento em que a sua sobriedade já é dada como um facto garantido, a família pode começar a encarar este estranho novo pai, primeiro com apreensão, e depois, com irritação. Fala-se de assuntos espirituais de manhã, à tarde e à noite. Ele pode exigir que os outros membros da família encontrem Deus subitamente, ou então pode manifestar uma indiferença espantosa em relação a eles, dizendo que está para além de considerações mundanas. Ele pode até dizer à mulher, que foi toda a sua vida praticante, que ela não percebe nada do assunto e que o melhor seria que ela adoptasse o seu estilo de espiritualidade, antes que seja tarde.
Quando o pai actua deste modo, a família pode reagir mal. Podem sentir ciúmes de um Deus que lhes roubou o afecto do pai. Embora gratos por ele já não beber, podem não gostar da ideia de Deus ter conseguido um milagre naquilo em que eles falharam. Esquecem-se frequentemente de que o pai estava para além da ajuda humana. Podem não conseguir perceber por que o seu amor e devoção não o conseguiram ajudar. Dirão que o pai não é tão espiritual como tudo isso. Se é sua intenção reparar os erros do passado, porquê toda esta preocupação com toda a gente menos com a família? E o que pensar quando ele diz que Deus cuidará deles? Suspeitam que o pai anda um pouco transtornado!
Ele está menos desequilibrado do que pensam. Muitos de nós passámos pelo mesmo entusiasmo deste pai. Entregámo-nos a essa embriaguez espiritual. Estávamos como um explorador esfomeado que aperta o cinto sobre a última migalha de comida, e que por fim encontra ouro. A alegria que sentimos pela libertação de uma vida inteira de frustrações não tinha limites. O pai sente que descobriu algo melhor do que o ouro. Durante um certo tempo pode querer guardar o tesouro só para si. Pode não realizar logo que só arranhou um filão inesgotável que lhe trará dividendos, se ele trabalhar para o resto da vida e se insistir em distribuir tudo o que de lá extrair.
Se a famíla cooperar, o pai depressa verá que sofre de uma destorção de valores. Perceberá que o seu crescimento espiritual é desequilibrado, que para um homem comum como ele próprio, uma vida espiritual que não inclua obrigações familiares não pode ser tão perfeita como ele supunha. Se a família encarar este comportamento do pai apenas como uma fase do seu desenvolvimento, tudo estará bem. Numa família compreensiva e bondosa, estas fantasias da infância espiritual do pai em breve desaparecerão.
Se a família tomar uma atitude de condenação e censura, pode dar-se o oposto. O pai pode sentir que o álcool fez com que ele nunca tivesse razão quando se discutia, mas que agora, com Deus ao seu lado, ele tornou-se uma pessoa superior. Se a família persistir numa atitude de crítica, este erro pode agravar-se ainda mais. Em vez de tratar a família como deveria, ele pode fechar-se cada vez mais em si mesmo com a desculpa de que tem uma justificação espiritual para o fazer.
Embora a família possa não concordar inteiramente com a actividade espiritual do pai, devem deixá-lo fazer o que ele quiser. Mesmo que ele manifeste um certo descuido e irresponsabilidade em relação à família, é bom deixá-lo ir até onde ele quiser para ajudar outros alcoólicos. Nos primeiros dias da sua convalescença, isto contribuirá mais do que qualquer outra coisa para a sua sobriedade. Embora algumas das suas manifestações sejam alarmantes e desagradáveis, achamos que ele terá uma base mais sólida do que aquele que coloca o êxito económico ou profissional à frente do progresso espiritual. Será menos provável que ele volte a beber e é tudo preferível a isso.
Aqueles de nós que passámos muito tempo no domínio da fantasia espiritual, compreendemos por fim o seu carácter infantil. Este mundo do sonho foi substituído por um grande sentido de determinação acompanhado por uma consciencialização gradual do poder de Deus nas nossas vidas. Viemos a acreditar que Ele gostaria que tivéssemos a cabeça nas nuvens perto Dele, mas que deveríamos ter os pés bem assentes na terra. É aqui que estão os nossos companheiros de viagem e é aqui que o nosso trabalho deve ser feito. Estas são as nossas realidades. Não encontrámos nenhuma incompatibilidade entre uma profunda experiência espiritual e uma vida de sã e feliz utilidade.
Uma outra sugestão: tenha a família convicções espirituais ou não, seria bom que examinassem os princípios pelos quais o alcoólico procura viver. Dificilmente podem deixar de aprovar estes simples princípios, mesmo que o chefe de família não os pratique inteiramente. Nada contribuirá mais para ajudar o alcoólico, que ainda vive numa fantasia espiritual, do que a mulher que adopta um programa espiritual equilibrado, fazendo um melhor uso prático dele.
Haverá outras modificações profundas em casa. O álcool incapacitou o pai durante tantos anos, que a mãe se tornou o chefe de família. Ela enfrentou estas responsabilidades corajosamente. Pela força das circunstâncias, viu-se muitas vezes obrigada a tratar o pai como um doente ou uma criança instável. Mesmo quando ele queria afirmar-se, não conseguia, porque o álcool fazia-o quase sempre perder a razão. Era a mãe que planeava e orientava tudo. Quando o pai estava sóbrio, geralmente obedecia. E assim a mãe, sem ter culpa nenhuma, habituou-se a usar as calças na família. Subitamente de regresso à vida, o pai começa a querer afirmar-se com frequência. Isto traz problemas, a menos que a família esteja atenta a estas tendências por parte de cada um e chegue a entendimentos amigáveis.
O álcool isola a maior parte das famílias do mundo exterior. O pai pode ter posto de lado durante anos todas as suas actividades habituais: a participação em clubes, os deveres cívicos, os desportos. Ao renovar o seu interesse nessas actividades, isso pode provocar um sentimento de ciúme. A família pode ter a impressão de que tem uma hipoteca tão grande em relação ao pai que não sobra nenhum crédito para os outros de fora. Em vez de arranjarem novos centros de interesse, a mãe e os filhos exigem que ele fique em casa para compensar essa falta.
Desde o princípio, o casal terá de enfrentar honestamente o facto de que cada um terá por vezes de fazer concessões, se a família quiser desempenhar um papel activo nesta nova vida. O pai terá necessariamente que passar muito tempo com outros alcoólicos, mas esta actividade tem de ser equilibrada. Podem fazer-se novas relações com pessoas que nada sabem de alcoolismo e ter em consideração as suas necessidades. Os problemas da comunidade poderão também prender a sua atenção. Mesmo que os membros da família não tenham ligações de carácter religioso, eles podem querer entrar em contacto ou inscreverem-se como membros num grupo religioso.
Alcoólicos que fizeram troça de pessoas religiosas vão beneficiar com estes contactos. Ao ter uma experiência espiritual, o alcoólico perceberá que tem muito em comum com estas pessoas, mesmo que não concorde com elas em muitos aspectos. Se não discutir religião, fará novos amigos e certamente descobrirá novos caminhos de utilidade e de satisfação. Ele e a sua família podem ser um motivo de alegria nestas comunidades religiosas. Ele pode levar uma nova esperança e coragem a muitos padres, pastores ou rabinos que dedicam o melhor de si mesmos para servir o nosso mundo conturbado. O que acabámos de apresentar serve apenas como uma sugestão útil. A nosso ver nada disto é obrigatório. Como pessoas sem nenhuma confissão específica, não podemos tomar decisões pelos outros nesta matéria. Cada um deve consultar a sua própria consciência.
Temos estado a falar de coisas sérias, por vezes trágicas. Temos estado a tratar do álcool no seu pior aspecto. Não somos porém pessoas soturnas. Se os recém-chegados não conseguissem ver alegria nem prazer na nossa vida, não a quereriam. Insistimos em absoluto em ter alegria de viver. Tentamos não nos entregar a atitudes cínicas sobre o estado das nações, nem carregar às costas os problemas do mundo. Quando vemos um homem a afundar-se no lamaçal, que é o alcoolismo, damos-lhe os primeiros socorros e pomos o que temos à sua disposição. Para o ajudar, descrevemos e quase voltamos a viver os horrores do nosso passado. Mas aqueles de nós que tentaram carregar com todo o peso e dificuldades dos outros, aperceberam-se em breve que ficaram dominados por eles.
Pensamos portanto que a alegria e o riso têm a sua utilidade. Pessoas de fora ficam por vezes chocadas quando desatamos a rir a propósito de uma experiência aparentemente trágica do passado. E porque é que não nos devíamos rir? Recuperámos e foi-nos dado o poder para ajudar os outros.
Toda a gente sabe que os que não têm saúde e os que raramente se divertem, riem pouco. Assim, que cada família se divirta em conjunto ou separadamente, na medida em que as circunstâncias o permitam. Estamos certos de que Deus quer que sejamos felizes, alegres e livres. Não podemos apoiar a ideia de que esta vida é um vale de lágrimas, embora ela tivesse sido precisamente isso mesmo para muitos de nós. Porém é óbvio que fomos nós mesmos que fizemos a nossa infelicidade e não Deus. Portanto, evite criar infelicidade deliberadamente. Porém, se surgirem dificuldades, capitalize-as com alegria, como uma oportunidade para manifestar a Sua omnipotência.
Agora, a respeito da saúde: um organismo gravemente queimado pelo álcool não recupera geralmente de um dia para o outro, nem tão pouco os pensamentos destorcidos e os estados depressivos desaparecem num abrir e fechar de olhos. Estamos convencidos de que um modo espiritual de vida é uma forma muitíssimo poderosa para restaurar a saúde. Nós, que nos recuperámos de uma maneira de beber grave, somos uns milagres de saúde mental, mas temos assistido a extraordinárias transformações nos nossos organismos. É raro haver alguém entre nós que agora revele quaisquer indícios da sua vida dissipada.
Isto não significa porém, que não façamos caso dos meios humanos de saúde. Deus deu a este mundo bons médicos, psicólogos e clínicos de todos os géneros em abundância. Não hesite em consultar estas pessoas sobre os seus problemas de saúde. A maior parte delas dedica-se com generosidade para que os seus semelhantes gozem de saúde mental e física. É preciso ter sempre presente que, embora Deus tenha realizado milagres entre nós, nunca devemos subestimar um bom médico ou um psiquiatra. Os seus serviços são frequentemente indispensáveis no tratamento de recém-chegados e no acompanhamento posterior dos seus casos.
Um dos muitos médicos que teve a oportunidade de ler o manuscrito deste livro, disse-nos que o uso de doces era útil em muitos casos, dependendo naturalmente do conselho médico. Ele era da opinião que todo o alcoólico deve ter sempre chocolate à mão devido ao seu rápido valor energético em casos de cansaço. Acrescentou que, por vezes a meio da noite, podia surgir uma vaga ansiedade que seria acalmada com doces. Muitos de nós notámos uma tendência para comer doces e achámos esta que esta prática era benéfica.
Uma palavra sobre as relações sexuais. O álcool é de tal modo um estimulante sexual para alguns homens que eles abusaram neste aspecto. Os casais sentem-se por vezes desanimados quando se apercebem de que o homem tem tendência para ficar impotente com a privação do álcool. A não ser que se compreenda a razão, pode surgir um abalo emocional. Alguns de nós passámos por esta experiência, para vir em poucos meses, uma intimidade maior do que nunca. Se esta situação persistir, não se deve hesitar em consultar um médico ou um psicólogo. Conhecemos poucos casos em que esta dificuldade se tenha prolongado por muito tempo.
O alcoólico poderá ter dificuldade em restabelecer relações amigáveis com os filhos. As suas jovens mentes eram muito impressionáveis quando ele bebia. Sem o dizer, podem odiá-lo por tudo o que ele lhes fez passar, a eles e à mãe. Os filhos são por vezes dominados por uma dureza e um cinismo patéticos. Parecem não conseguir esquecer nem perdoar. Esta situação pode arrastar-se durante meses e até muito depois da mãe ter aceite a nova maneira de viver e de pensar do pai.
Com o tempo reconhecerão que ele é um homem novo e, à sua maneira, saberão dizer-lho. Quando isto acontecer, pode-se convidá-los a participar na meditação da manhã e a tomar parte nas conversas diárias sem rancor nem preconceitos. A partir daí, o progresso será rápido. Seguem-se muitas vezes resultados extraordinários depois de uma tal reconciliação.
Quer a família adopte ou não uma via espiritual, o alcoólico tem de o fazer se quiser recuperar. Os outros têm de se convencer da sua nova condição sem qualquer sombra de dúvida. Ver é crer para a maior parte das famílias que viveram com um alcoólico.
Aqui temos um caso que vem muito a propósito do que se está a tratar: um dos nossos amigos fumava muito e bebia café em excesso. Sem dúvida que exagerava. Ao ver isto e com o intuito de o ajudar, a mulher começou a repreendê-lo. Ele admitiu que estava a exagerar, mas disse francamente que não estava disposto a parar. A sua mulher é uma daquelas pessoas para quem estes prazeres têm algo de pecaminoso, de modo que o censurava. A sua intolerância acabou por lhe provocar um ataque de fúria e ele embebedou-se.
É claro que o nosso amigo estava errado - completamente errado. Ele teve que o admitir dolorosamente e reparar as suas defesas espirituais. Apesar de ele ser actualmente um membro muito eficiente dos Alcoólicos Anónimos, ainda fuma e bebe café, mas nem a sua mulher nem ninguém o acusam por isso. Ela reconhece que não teve razão em exagerar a importância desse caso, quando os males mais graves do seu marido estavam a ser rapidamente tratados.
Temos três pequenos lemas que vêm muito a propósito:
Primeiro as primeiras coisas
Viva e deixe viver
Vá com calma, mas vá.


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