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Alcoólicos Anónimos Grupo 1 de Maio


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Livro Azul Capítulo 6

ENTRAR EM ACÇÃO

Depois de termos feito o nosso inventário pessoal, que fazemos com ele? Temos estado a esforçar-nos por adquirir uma nova atitude, uma nova relação com o nosso Criador e por descobrir os obstáculos no nosso caminho. Admitimos certos defeitos; determinámos de uma forma geral qual é o problema e apontámos os pontos críticos no nosso inventário pessoal. Temos agora de nos livrar destes pontos. Isto requer acção da nossa parte, a qual, depois de terminada, significará que admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano a natureza exacta dos nossos defeitos. Isto leva-nos ao Quinto Passo no programa de recuperação referido no capítulo anterior.
Talvez isto seja difícil, especialmente falar dos nossos defeitos com outra pessoa. Achamos que já fizemos bastante ao admiti-los a nós próprios. Mas temos dúvidas acerca disso. Na prática, esta auto-avaliação feita apenas por nós não é suficiente. Muitos de nós achamos que é necessário ir muito mais longe. Teremos mais facilidade em falar de nós mesmos com outra pessoa quando descobrirmos fortes razões para o fazer. E a melhor razão é que, se omitirmos este passo vital, podemos não resolver o problema da bebida. Vezes sem conta, os recém-chegados têm tentado guardar para si próprios certos factos das suas vidas. Para evitar esta experiência de humildade, recorreram a métodos mais fáceis. Quase invariavelmente acabaram por se embebedar. Como tinham sido persistentes com o resto do programa, perguntavam--se por que tinham recaído. A razão, segundo nós, é que nunca acabaram a sua limpeza interior. Com efeito, fizeram o inventário, mas guardaram para si algumas das piores coisas da sua vida. Eles só julgaram que se tinham desfeito do seu egoísmo e medo; só julgaram que se tinham tornado humildes. Mas não tinham aprendido suficiente humildade, coragem e honestidade, no sentido em que achamos necessário, até terem contado a outra pessoa toda a história da sua vida.
Mais do que a maioria das pessoas, o alcoólico leva uma vida dupla. Tem muito de actor. Para o mundo exterior ele apresenta a sua personagem teatral. É a que ele gosta que os outros vejam. Quer gozar de uma certa reputação, embora saiba no seu íntimo que não a merece.
Esta incongruência agrava-se por coisas que ele faz com as bebedeiras. Quando volta a si, revolta-se com certos episódios dos quais mal se lembra. Estas recordações são um pesadelo. Ele treme só de pensar que alguém o possa ter visto. Na medida do possível, tenta enterrar estas lembranças no mais fundo de si mesmo. Espera que nunca venham à luz do dia. Vive num medo e tensão permanentes, o que faz com que beba ainda mais.
Em geral, os psicólogos estão de acordo connosco neste aspecto. Gastámos milhares de dólares em consultas. São poucos os casos que conhecemos em que demos uma verdadeira oportunidade a estes médicos. Raramente lhes dissemos toda a verdade ou seguimos os seus conselhos. Do mesmo modo que nos recusávamos a ser honestos com estes homens compreensivos, também não éramos honestos com ninguém. Não é de admirar que os médicos tenham uma má opinião dos alcoólicos e das suas hipóteses de recuperação!
Temos de ser inteiramente honestos com alguém, se esperamos viver felizes neste mundo por muito tempo. Naturalmente e com razão, pensamos bem antes de escolher a pessoa ou pessoas com quem decidimos fazer este passo íntimo e confidencial. Aqueles de nós que pertencemos a uma religião em que se requer a confissão, devem e quererão naturalmente ir ter com a pessoa indicada para ouvir uma tal confissão. Embora não estejamos ligados a nenhuma religião, pode ser positivo para nós falar com alguém ordenado por uma religião estabelecida. Sentimos com frequência que tais pessoas vêem e compreendem rapidamente o nosso problema. Mas é claro que encontramos por vezes também pessoas que não compreendem os alcoólicos.
Se não pudermos ou preferirmos não fazer isto, procuramos, entre os nossos conhecidos, um amigo discreto e compreensivo. A pessoa indicada pode ser o nosso médico ou psicólogo. Pode ser alguém da nossa família, mas não podemos revelar às nossas mulheres ou pais nada que os possa magoar ou fazer infelizes. Não temos o direito de salvar a nossa pele à custa de outra pessoa. Para falar sobre esses aspectos da nossa vida, escolhemos alguém que seja compreensivo e que não fique afectado. A regra é que devemos ser duros connosco mesmos mas ter sempre consideração pelos outros.
Apesar da grande necessidade que temos de falar com alguém sobre nós, pode haver uma situação em que não se encontre a pessoa adequada. Se assim for, este passo pode ser adiado, desde que nos mantenhamos inteiramente dispostos para o fazer na primeira oportunidade que tivermos. Dizemos isto porque sentimos que é muito importante que se fale com a pessoa certa. É importante que essa pessoa seja capaz de guardar segredo, que compreenda e aprove plenamente aquilo que nos propomos fazer e que não tente alterar o nosso plano. Não devemos porém utilizar esta exigência como mera desculpa para adiar este passo.
Uma vez escolhida a pessoa que irá ouvir a nossa história, não perdemos tempo. Temos um inventário escrito e estamos preparados para uma longa conversa. Explicamos ao nosso confidente o que nos propomos fazer e a razão por que temos de o fazer. Ele deve compreender que estamos empenhados num assunto que é de vida ou de morte. A maioria das pessoas que abordamos desta maneira ficará contente por querer ajudar e sente-se honrada com a nossa confiança.
Pomos o nosso orgulho de lado e metemos mãos à obra, revelando cada aspecto tortuoso de carácter e pondo à luz todos os recantos obscuros do nosso passado. Uma vez feito este passo sem nada omitir, sentimos uma grande alegria. Podemos olhar o mundo de frente. Podemos estar sozinhos perfeitamente tranquilos e em paz. Os nossos medos desaparecem. Começamos a sentir a proximidade do nosso Criador. Até aí podíamos ter tido crenças espirituais, mas agora começamos a viver uma experiência espiritual. O sentimento de que o nosso problema de álcool desapareceu surgirá com frequência e intensidade. Sentimos que estamos na grande Estrada, caminhando de mãos dadas com o Espírito do Universo.
De regresso a casa, procuramos um lugar onde possamos estar tranquilos uma hora para rever cuidadosamente o que fizemos. Agradecemos a Deus do fundo do coração por conhecê-Lo melhor. Pegando neste livro, abrimos na página onde estão os Doze Passos. Lemos com atenção os cinco primeiros e perguntamo-nos se omitimos alguma coisa, porque estamos a construir um arco através do qual passaremos a ser pessoas livres. Até aqui, o nosso trabalho estará realmente sólido? As pedras estão todas no seu devido lugar? Aldrabámos no cimento que usámos para os alicerces? Tentámos fazer argamassa sem areia?
Se conseguirmos dar uma resposta que nos satisfaça inteiramente, viramo-nos então para o Sexto Passo. Insistimos em que a boa vontade é indispensável. Estamos agora prontos para que Deus elimine em nós todas as coisas que admitimos ser questionáveis? Pode Ele agora encarregar-Se de eliminar todas elas, sem excepção? Se ainda nos agarrarmos a algumas sem as querer largar, pedimos a Deus que nos ajude a ter boa vontade.
Quando estivermos prontos, dizemos mais ou menos isto: "Meu Criador, estou agora disposto a entregar-me inteiramente como sou, com o que tenho de bom e de mau. Peço-Te que elimines de mim todos os defeitos que me impedem de Te ser útil e aos meus semelhantes. Concede-me a força, a partir de agora, para fazer a Tua Vontade. Amen." Completámos assim o Sétimo Passo.
Agora precisamos de entrar mais em acção, sem a qual achamos que "a Fé sem obras é morta". Vejamos o Oitavo e Nono Passos. Temos uma lista da todas as pessoas a quem causámos danos e a quem nos dispomos a fazer reparações. Escrevemos esta lista ao fazermos o nosso inventário. Submetemo-nos a uma auto-avaliação drástica. Dirigimo-nos agora aos nossos semelhantes e reparamos os danos causados no passado. Tratamos de varrer os escombros que se acumularam como resultado da nossa obstinação em viver segundo a nossa vontade e em sermos nós a dirigir o espectáculo. Se ainda não tivermos a vontade para levarmos isto a cabo, pedimos até que ela nos venha. Lembremo-nos de que ao princípio concordámos em fazer tudo o que fosse necessário para alcançarmos a vitória sobre o álcool.
Talvez ainda haja certas dúvidas. Perante a lista dos nomes das nossas relações de negócios e amigos a quem magoámos, podemos sentir-nos acanhados em nos dirigir a alguns deles em termos espirituais, mas podemos ficar descansados. Nalguns casos não é necessário nem seria provavelmente indicado insistirmos no aspecto espiritual ao abordá-los pela primeira vez. Arriscamos provocar-lhes preconceitos. De momento pretendemos pôr as nossas vidas em ordem, mas isto não é uma finalidade em si mesma. O nosso verdadeiro propósito é o de nos moldarmos de forma a sermos capazes de servir o melhor possível a Deus e aos outros que nos rodeiam. Não é nada recomendável abordarmos uma pessoa que ainda esteja sob o efeito de uma injustiça que lhe cometemos, para lhe anunciar que nos orientamos agora por princípios religiosos. Num combate de boxe isto seria equivalente a baixarmos as nossas defesas. Para quê expormo-nos a sermos considerados uns fanáticos ou uns chatos religiosos? Podemos perder uma oportunidade futura de levar a mensagem de um modo benéfico. Mas é preciso que a pessoa em questão fique convencida do nosso sincero desejo para reparar os danos causados. Ela vai estar mais interessada na manifestação de boa vontade do que em conversas sobre descobertas espirituais.
Não se trata de uma desculpa por nos sentirmos envergonhados de falar de Deus. Se for oportuno e tiver uma finalidade positiva, dispomo-nos a falar sobre as nossas convicções com tacto e bom senso. Irá surgir o problema de como abordar a pessoa que tanto detestámos. Pode ser que nos tenha causado mais danos do que nós lhe causámos e que, apesar de termos conseguido melhorar a nossa atitude em relação a ela, não estejamos ainda muito dispostos a admitir os nossos erros. No entanto, se se trata porém de uma pessoa de quem não gostamos, empenhamo-nos então com uma particular determinação. É mais difícil dirigirmo-nos a um inimigo do que a um amigo, mas acabamos por perceber que é muito mais benéfico para nós. Abordamo-lo com um espírito de ajuda e de perdão, confessamos o nosso antigo rancor e expressamos o nosso pesar.
Em nenhuma circunstância criticamos essa pessoa ou discutimos com ela. Dizemos-lhe simplesmente que nunca poderemos resolver o nosso problema de bebida sem termos feito todo o possível por endireitar o nosso passado. O nosso único objectivo é o de varrer o nosso lado da rua, compreendendo que nunca poderemos fazer nada que valha a pena sem levarmos a cabo este nosso propósito, e nunca tentando dizer-lhe o que deve fazer. Não são os seus defeitos que estão em causa. São os nossos. Se a nossa atitude for calma, franca e aberta, ficaremos satisfeitos com o resultado.
Em nove de cada dez casos, acontece o inesperado. A pessoa a quem nos dirigimos admite por vezes a sua própria culpa e velhas animosidades de anos dissipam-se numa hora. Raramente deixamos de alcançar progressos satisfatórios. Os nossos antigos inimigos por vezes louvam o que estamos a fazer e desejam-nos bons resultados. Ocasionalmente oferecem-nos ajuda. Não devemos contudo dar importância se alguém nos puser na rua. Fizemos o nosso melhor e a parte que nos cabe. O resto são águas passadas.
A maior parte dos alcoólicos tem dívidas. Não nos esquivamos dos nossos credores. Ao explicar-lhes o que estamos a tentar fazer, falamos abertamente sobre a nossa maneira de beber, da qual têm conhecimento de qualquer modo, quer queiramos ou não. Nem tão-pouco temos medo de revelar o nosso alcoolismo sob pretexto de que nos poderia causar dificuldades financeiras. Com uma abordagem deste género, o credor mais implacável poderá por vezes surpreender-nos. Tentando arranjar o melhor acordo possível, damos a entender claramente como estamos arrependidos. A nossa maneira de beber tornou-nos lentos a pagar as nossas dívidas. Temos de perder o medo dos nossos credores custe o que custar, porque corremos o risco de beber se tivermos medo de os encarar.
Talvez tenhamos cometido um delito que nos poderia ter levado à cadeia se fosse do conhecimento das autoridades. Podemos ter gasto dinheiro que não nos pertence e não ter possibilidade de o repor. Já o admitimos em confidência a outra pessoa, com a certeza porém de que seríamos presos ou perderíamos o emprego se se viesse a saber. Talvez se trate apenas de um delito menor, tal como exagerar as notas de despesa. A maior parte de nós fizemos este género de coisas. Talvez estejamos divorciados e tenhamos voltado a casar, mas não pagámos a pensão à nossa primeira mulher. Por esse motivo ela fica indignada e arranja uma ordem de prisão contra nós. Este género de problema também é frequente.
Se bem que estas reparações possam assumir inúmeras formas, há certos princípios gerais que nos servem de orientação. Tendo sempre presente que decidimos fazer tudo o que for necessário para ter uma experiência espiritual, pedimos força e orientação para agir da maneira certa, independentemente do que possam ser as consequências que daí resultem para nós. Podemos perder o emprego ou a nossa reputação ou enfrentar a prisão, mas continuamos a ter boa vontade. Tem de ser. Não podemos recuar perante nada.
Geralmente, porém, há outras pessoas em causa. Não podemos portanto tornarmo-nos de um modo apressado e irreflectido em mártires que sacrificariam desnecessariamente os outros para se salvar do abismo alcoólico. Conhecemos um homem que voltou a casar. Por ressentimentos e devido ao álcool, não tinha pago a pensão de divórcio à primeira mulher. Ela ficou furiosa. Foi para tribunal e conseguiu uma ordem de prisão contra ele. Ele tinha começado a viver o nosso modo de vida, tinha conseguido um emprego e começava a levantar cabeça. Teria sido um gesto de heroísmo comovente se ele se tivesse apresentado perante o juiz e dissesse: "Aqui estou eu".
Pensámos que ele se deveria dispor a fazer isso se fosse necessário, mas se estivesse na prisão ele não poderia sustentar qualquer das famílias. Sugerimos que escrevesse à primeira mulher admitindo os seus erros e pedindo perdão. Assim o fez e também lhe enviou uma pequena quantia de dinheiro. Explicou-lhe o que tentaria fazer de futuro. Disse-lhe que estava perfeitamente disposto a ir para a cadeia se ela insistisse. É claro que ela não insistiu e toda a situação ficou resolvida há muito tempo.
Antes de tomarmos medidas radicais que possam implicar outras pessoas, nós pedimos o seu consentimento. Se o obtivermos, se tivermos consultado outras pessoas, pedido ajuda a Deus e se esse passo drástico for indicado, então não podemos hesitar.
Isto recorda-nos a história de um dos nossos amigos. Na altura em que bebia, aceitou uma quantia de dinheiro de um concorrente de negócios que odiava profundamente, sem lhe passar recibo. Em seguida negou ter recebido este dinheiro e aproveitou-se deste incidente para desacreditar o seu concorrente. Ele utilizou deste modo a sua própria falta para destruir a reputação da outra pessoa. Com efeito, o seu concorrente ficou arruinado.
Sentiu que tinha feito tanto mal que não o podia reparar de maneira nenhuma. Se ele desenterrasse aquele velho assunto, tinha medo de destruir a reputação do seu sócio, de desonrar a sua família e de a privar dos meios de subsistência. Que direito tinha ele de envolver os que dependiam dele? Como é que podia fazer uma declaração pública ilibando o seu rival?
Depois de ter falado com a mulher e com o sócio, chegou à conclusão de que era preferível correr esses riscos do que comparecer perante o seu Criador com a culpa de uma difamação tão ruinosa. Percebeu que tinha de colocar os resultados nas mãos de Deus ou começaria em breve a beber de novo e tudo estaria perdido de qualquer maneira. Pela primeira vez depois de muitos anos voltou à igreja. Depois do sermão, levantou-se calmamente e explicou o sucedido. A sua atitude teve aprovação geral e actualmente é um dos cidadãos mais respeitados na sua cidade. Tudo isto aconteceu há muitos anos.
É muito provável que tenhamos problemas familiares. Talvez estejamos envolvidos com mulheres de uma maneira que não nos interessa que venha a público. Duvidamos de que os alcoólicos sejam basicamente piores neste aspecto do que as outras pessoas, mas a bebida complica realmente as relações sexuais em casa. Depois de uns quantos anos com um alcoólico, a mulher cansa-se, torna-se ressentida e pouco comunicativa. Como é que poderia ser de outro modo? O marido começa a sentir-se só e com pena de si mesmo. Começa a procurar qualquer outra coisa além do álcool em clubes nocturnos ou em lugares semelhantes. Talvez tenha uma ligação secreta e excitante com "a rapariga que o compreende". Com toda a franqueza, pode mesmo admitir--se que ela compreenda, mas o que se pode fazer numa situação destas? Um homem envolvido a este ponto sente-se frequentemente consumido com remorsos, muito em especial se for casado com uma mulher leal e corajosa que teve uma vida de inferno por sua causa.
Geralmente, qualquer que seja o caso, é preciso fazer qualquer coisa. Se tivermos a certeza de que a nossa mulher não sabe de nada, devemos dizer-lhe? Nem sempre, pensamos nós. Se ela souber de um modo vago que temos sido levianos, devemos contar-lhe tudo em pormenor? Sem dúvida que devemos admitir o nosso erro. Ela pode insistir e querer saber todos os detalhes. Ela quererá saber quem é a mulher e onde está. Sentimos que lhe devemos dizer que não temos o direito de implicar outra pessoa. Lamentamos o que fizemos e, com a ajuda de Deus, não voltará a acontecer. Mais do que isso não podemos fazer; não temos o direito de ir mais longe. Embora possa haver excepções que tenham justificação, e mesmo não sendo nossa intenção definir qualquer tipo de regra, esta parece ser a melhor atitude a tomar.
O nosso modo de vida não é uma rua de sentido único. Aplica-se tanto à mulher como ao marido. Se nós podemos esquecer, também ela pode. É preferível, contudo, não mencionar inutilmente o nome de uma pessoa que seria objecto do seu ciúme.
Pode haver alguns casos em que seja necessária a maior franqueza. Ninguém de fora pode avaliar uma situação tão íntima. Pode dar-se o caso em que ambos decidam que a via do bom senso e da bondade com carinho seja o melhor para deixar o passado para trás. Cada um pode rezar para que isso aconteça, tendo em vista antes de mais a felicidade do outro. Devemos ter sempre presente que estamos a lidar com a mais terrível emoção humana - o ciúme. Como boa táctica, pode decidir-se que o problema seja atacado pelo flanco em vez de se arriscar um combate frente a frente.
Se não tivermos problemas deste género, temos muito que fazer em casa. Por vezes ouvimos um alcoólico dizer que a única coisa que precisa é manter-se sóbrio. Certamente que terá de se manter sóbrio, porque de outro modo não haverá família para ele, mas ele tem ainda muito que fazer para conseguir compensar a mulher ou os pais que maltratou durante anos. A paciência das mães e das mulheres para com os alcoólicos ultrapassa toda a compreensão. Se não fosse este o caso, muitos de nós já não teríamos lares ou estaríamos possivelmente mortos.
O alcoólico é como um furacão destruidor que passa pela vida dos outros. Corações ficam despedaçados. Morrem as relações mais ternas. Laços de afecto quebram-se pela raiz. Hábitos egoístas e irreflectidos mantêm a casa num alvoroço. Achamos que é uma irresponsabilidade dizer-se que basta deixar de beber. É como a atitude do camponês que sai do seu abrigo depois do ciclone para encontrar a casa em ruínas e diz à mulher: "Não se passou nada de especial. Não é formidável que o vento tenha parado?"
Com efeito, há um longo período de reconstrução à nossa frente. Somos nós que temos de tomar a iniciativa. Não basta dizer que sentimos remorsos e lamentamos o passado. Temos de reunir toda a família e analisar com sinceridade o passado como o vemos agora, tendo muito cuidado em não a criticar. Os seus defeitos podem ser evidentes, mas é provável que sejamos em grande parte responsáveis por eles. De modo que "limpamos a casa" com a família e, todas as manhãs na nossa meditação, pedimos ao nosso Criador que nos mostre o caminho da paciência, tolerância, bondade e amor.
A vida espiritual não é uma teoria. Temos de a viver. A não ser que a nossa família mostre vontade de viver segundo princípios espirituais, achamos que não devemos impor-lhe estes princípios. Não devemos estar sempre a falar-lhes de assuntos espirituais. A seu tempo mudarão. O nosso comportamento será mais convincente do que as nossas palavras. Temos de nos lembrar de que dez ou vinte anos de bebedeiras tornam qualquer pessoa céptica.
Pode haver certos danos que nunca poderão ser completamente reparados. Não nos vamos preocupar com isso se pudermos honestamente dizer a nós mesmos que faríamos a reparações se pudéssemos. Às pessoas que não podemos contactar pessoalmente enviamos uma carta sincera. Em certos casos pode impor-se um adiamento por razões que se justifiquem. Mas, sempre que possível, evitamos adiar situações. Devemos dar provas de sensatez, de tacto, de consideração e humildade sem nos mostrarmos servis nem submissos. Como filhos de Deus andamos de cabeça erguida; não rastejamos perante ninguém.
Se nos empenharmos nesta fase do nosso crescimento, ficaremos surpreendidos antes de chegarmos a meio do caminho. Vamos conhecer uma nova liberdade e uma nova felicidade. Não vamos lamentar o passado nem querer fechá-lo no esquecimento. Iremos compreender o sentido da palavra serenidade e conhecer a paz. Mesmo que tenhamos descido muito baixo, veremos como a nossa experiência pode ser benéfica para outros. Os sentimentos de inutilidade e de autopiedade vão desaparecer. Vamos perder interesse pelas coisas egoístas e adquirir interesse pelos outros. A ambição pessoal irá atenuar-se. A nossa atitude global e o modo de olhar para a vida irão mudar. O medo das pessoas e da insegurança económica vai-nos deixar. Saberemos intuitivamente como lidar com situações que nos costumavam deixar desorientados. Perceberemos de repente que Deus está a realizar por nós o que não conseguíamos fazer por nós próprios.
Estas promessas são extravagantes? Achamos que não. Estão a cumprir-se entre nós, umas vezes depressa, outras mais devagar. Acabarão sempre por se concretizar se trabalharmos para isso.
Este pensamento leva-nos ao Décimo Passo, que nos sugere continuarmos com o nosso inventário pessoal e a reparar quaisquer novos erros que cometermos. Começámos energicamente com este modo de vida quando limpámos o passado. Entrámos no mundo do Espírito. A nossa tarefa seguinte é crescer em compreensão e eficácia. Isto não é um assunto que se resolva de um dia para o outro. É uma tarefa para toda a vida e temos de continuar atentos ao egoísmo, desonestidade, ressentimento e medo. Quando surgem, pedimos logo a Deus que nos liberte deles. Falamos imediatamente com alguém e fazemos logo reparações se tivermos causado danos. Depois, com determinação, voltamos os nossos pensamentos para alguém a quem possamos ajudar. O amor e a tolerância pelos outros são o nosso código.
Assim, deixámos também de lutar contra pessoas e coisas, incluindo o álcool. Por esta altura já teremos recuperado a razão. Raramente teremos interesse no álcool. Em caso de tentação, recuamos como se fosse perante uma chama. Reagimos normalmente e com sanidade, descobrindo que esta maneira de reagir nos veio automaticamente. Veremos que a nossa nova atitude perante o álcool nos foi dada sem qualquer pensamento ou esforço da nossa parte. Vem naturalmente! É aqui que está o milagre. Não temos de lutar nem de evitar a tentação. Sentimo-nos como se estivéssemos numa posição de neutralidade - seguros e protegidos. Nem sequer fizemos uma jura solene. Em vez disso, o problema foi eliminado. Deixou de existir para nós. Não nos sentimos arrogantes nem tão-pouco temos medo. Esta é a nossa experiência. É assim que reagimos se nos mantivermos em boa condição espiritual.
Neste programa espiritual de acção é fácil desleixarmo-nos e descansarmos sobre os nossos louros. Se isto acontecer, vamos arranjar problemas, porque o álcool é um inimigo subtil. Não estamos curados do alcoolismo. O que nós temos na realidade é uma suspensão diária, que depende de mantermos a nossa condição espiritual. Cada dia é um dia em que todas as nossas actividades devem reflectir a expressão da vontade de Deus. "Como Te posso servir melhor - seja feita a Tua vontade (e não a minha)". Estes pensamentos devem acompanhar-nos constantemente. Neste sentido, podemos praticar a nossa força de vontade tanto quanto quisermos.
Tem-se dito já muito sobre a força, a inspiração e a orientação que recebemos Daquele que tudo sabe e tudo pode. Se tivermos seguido as indicações cuidadosamente, já teremos começado a sentir em nós a influência do Seu Espírito. Tornámo-nos de certo modo conscientes da presença de Deus. Começámos a desenvolver este sexto sentido vital. Mas temos de prosseguir e isto significa mais acção.
O Décimo Primeiro Passo sugere a oração e a meditação. Nesta questão da oração não devemos ter vergonha. Pessoas bem melhores do que nós usam-na constantemente. É uma prática que resulta, se tivermos a atitude adequada e se trabalharmos por isso. Seria fácil ficarmos por generalidades neste aspecto, contudo achamos que podemos fazer determinadas sugestões precisas e valiosas.
Quando nos deitamos à noite, revemos construtivamente o nosso dia. Tivemos ressentimentos, fomos egoístas, desonestos ou tivemos medo? Devemos uma desculpa a alguém? Guardámos alguma coisa só para nós que devíamos ter falado imediatamente com outra pessoa? Fomos amáveis e carinhosos com todos? O que podíamos ter feito melhor? Estivemos a pensar em nós mesmos todo o tempo? Ou estivemos a pensar no que poderíamos fazer pelos outros, no que poderíamos contribuir para o curso da vida? Temos de ter cuidado em não nos deixar arrastar pela preocupação, pelo remorso ou reflexão mórbida, porque isso reduziria a nossa utilidade para com os outros. Depois de termos revisto o nosso dia, pedimos perdão a Deus e que nos indique as medidas a tomar para nos corrigirmos.
Ao despertar, pensamos nas vinte e quatro horas que temos à nossa frente. Pensamos nos nossos planos para o dia. Antes de começarmos, pedimos a Deus que oriente os nossos pensamentos e especialmente que sejam livres de motivos de autopiedade, desonestidade e interesse pessoal. Sendo assim, podemos empregar as nossas faculdades mentais com confiança, porque apesar de tudo, Deus deu-nos inteligência para a utilizarmos. O mundo dos nossos pensamentos ficará situado a um nível muito mais elevado, quando a nossa maneira de pensar estiver isenta de falsos motivos.
Ao pensarmos no nosso dia, podemos confrontar-nos com a indecisão. Podemos não ser capazes de encontrar qual o caminho a seguir. Neste caso pedimos a Deus inspiração, um pensamento intuitivo ou uma decisão. Procuramos estar tranquilos e levar as coisas com calma. Não lutamos. Sentimo-nos frequentemente surpreendidos ao ver como nos surgem as respostas certas depois de um certo tempo desta prática. O que costumava ser um palpite ou uma inspiração de momento torna-se gradualmente no processo habitual da nossa maneira de pensar. Inexperientes ainda, e tendo apenas começado o nosso contacto consciente com Deus, não é provável que nos sintamos sempre inspirados. Pode sair-nos muito cara esta presunção e dar origem a todo o género de ideias e atitudes absurdas. No entanto percebemos que, com o tempo, a nossa maneira de pensar se situará cada vez mais ao nível da inspiração. Acabamos por confiar nisso.
Concluímos geralmente o período de meditação com uma oração, para que nos seja indicado ao longo de todo o dia qual há-de ser o passo seguinte, para que nos seja concedida a ajuda necessária para lidarmos com as dificuldades que se nos deparam. Pedimos especialmente que nos liberte da obstinação e temos cuidado em não pedir nada só para nós próprios. Pedimos, no entanto, para nós mesmos se isso ajudar os outros. Temos cuidado de nunca rezar com fins egoístas. Muitos de nós já perdemos demasiado tempo com isso e não resulta. Pode perceber-se facilmente porquê.
Se as circunstâncias o permitirem, pedimos às nossas mulheres ou amigos que nos acompanhem na meditação da manhã. Se a religião que temos requer um culto especial de manhã, cumprimos este dever. Se não pertencemos a nenhuma forma de religião organizada, por vezes escolhemos e aprendemos de cor umas orações que expressem particularmente os nossos princípios. Existem muitos livros que nos podem ser úteis. Padres, pastores ou rabinos podem dar-nos sugestões neste sentido. Faça por ver onde é que as pessoas religiosas têm razão. Faça uso do que elas têm para oferecer.
Ao longo do dia, quando nos sentimos agitados ou em dúvida, fazemos uma pausa e pedimos que nos seja concedida a ideia certa ou a maneira adequada de actuar. Lembramo-nos constantemente de que já não somos nós que dirigimos o espectáculo, dizendo humildemente para nós próprios várias vezes ao dia: "Faça-se a Tua vontade". Estamos assim muito menos expostos ao perigo da excitação, medo, raiva, preocupação, autopiedade ou decisões tontas. Tornamo-nos muito mais eficientes. Não nos cansamos com tanta facilidade porque não desperdiçamos energias disparatadamente como fazíamos quando tentávamos moldar a vida à nossa maneira.
Resulta, realmente resulta!
Nós, os alcoólicos, somos indisciplinados. Por isso deixamos que Deus nos discipline da maneira simples que descrevemos. Mas isto não é tudo. É preciso acção e mais acção. "A fé sem obras é morta". O capítulo seguinte é inteiramente dedicado ao Décimo Segundo Passo.


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