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Alcoólicos Anónimos Grupo 1 de Maio


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Livro Azul Capítulo 4

NÓS, OS AGNÓSTICOS

Nos capítulos anteriores você aprendeu um pouco sobre alcoolismo. Esperamos ter estabelecido bem a diferença entre o alcoólico e o não alcoólico. Se se aperceber de que lhe é impossível deixar por completo de beber, mesmo quando quer honestamente, ou se, quando bebe, tem pouco controlo sobre as quantidades que toma, provavelmente é alcoólico. Se for esse o caso, é possível que sofra de uma doença que só uma experiência espiritual pode vencer.
Para aquele que se considera ateu ou agnóstico, uma tal experiência parece-lhe impossível, mas continuar no seu actual estado será um desastre, especialmente se for um alcoólico do tipo irrecuperável. Ver-se condenado a uma morte por alcoolismo ou viver segundo princípios espirituais não são alternativas fáceis de encarar.
Mas não é assim tão difícil. Cerca de metade dos nossos primeiros membros eram exactamente desse género. Ao princípio, alguns de nós tentámos evitar a questão, na inútil esperança de não sermos realmente alcoólicos. Mas, depois de um certo tempo, tivemos de encarar o facto de que precisávamos de encontrar uma base espiritual para a nossa vida, ou de outro modo não havia solução para nós. Talvez venha a ser este o seu caso. Mas anime-se, aproximadamente metade dos nossos membros consideravam-se ateus ou agnósticos. A nossa experiência prova que não tem de se sentir desanimado.
Se um simples código moral ou uma melhor filosofia de vida fossem suficientes para superar o alcoolismo, muitos de nós teríamos recuperado há muito tempo. Porém, apesar de todos os nossos esforços, percebemos que tais códigos e filosofias em nada nos ajudavam. Podíamos querer levar uma vida moral, ser filosoficamente confortados, podíamos mesmo querer tudo isto com todas as nossas forças, mas o poder necessário para o alcançar não estava lá. Os nossos recursos humanos dirigidos pela nossa vontade não eram suficientes. Falhavam completamente.
Faltava-nos esse poder. Era esse o nosso dilema. Tínhamos que descobrir uma força pela qual poderíamos viver e tinha que ser uma Força superior à nossa. Isso era óbvio, mas onde e como íamos nós encontrar essa Força?
Pois bem, é precisamente disso que trata este livro. O seu objectivo principal é ajudá-lo a encontrar uma Força maior do que a sua que resolva o seu problema. Por outras palavras, escrevemos um livro que, em nossa opinião, trata de princípios espirituais e éticos. E isto significa naturalmente que vamos falar de Deus. É aqui que surje a dificuldade com os agnósticos. Muitas vezes, falamos com uma pessoa recém-chegada e vemos crescer as suas esperanças à medida que abordamos o seu problema alcoólico e lhe explicamos o nosso movimento. Mas quando falamos de assuntos espirituais ela começa logo a retrair-se, muito em particular, ao mencionarmos a palavra Deus, porque tocámos numa questão que ela pensava ter posto definitivamente de lado ou ignorado por completo.
Compreendemos a sua reacção. Já partilhámos essa mesma dúvida sincera e o mesmo preconceito. Alguns de nós fomos violentamente anti--religiosos. Para outros, a palavra "Deus" evocava uma determinada ideia que alguém lhes tinha tentado incutir na infância. Talvez rejeitássemos essa particular concepção por parecer inadequada. Com isso, supúnhamos ter abandonado por completo a ideia de Deus. Para nós, a fé e a dependência dum Poder para além de nós mesmos representavam uma certa fraqueza, até mesmo uma cobardia, e essa ideia incomodava-nos. Víamos com profundo cepticismo este mundo de pessoas sempre em guerra, de sistemas teológicos em conflito e de calamidades inexplicáveis. Olhávamos com suspeita para muitos daqueles que se diziam devotos. Em que medida podia um Ser Supremo ter qualquer coisa a ver com tudo isto? E, de resto, quem poderia entender um Ser Supremo? Contudo, noutras alturas, deslumbrados com uma noite de estrelas, púnhamo-nos a pensar, "Quem, afinal, fez tudo isto?" Era um momento de admiração e espanto, porém fugaz e que em breve passava.
Sim, nós que somos agnósticos, tivemos essas ideias e experiências, mas vamos tranquilizá-lo rapidamente. Assim que pusemos de parte os nossos preconceitos e manifestámos boa vontade para acreditar num Poder superior a nós mesmos, descobrimos que começávamos a obter resultados, ainda que fosse impossível para qualquer um de nós definir ou compreender inteiramente esse Poder que é Deus.
Para nosso grande alívio, descobrimos que não tínhamos de adoptar uma concepção de Deus que nos fosse imposta. A nossa própria concepção, por mais inadequada que fosse, era suficiente para abrir o caminho e estabelecer a comunicação com Ele. A partir do momento em que admitimos a possibilidade da existência de uma Inteligência Criadora, de um Espírito do Universo subjacente a tudo, começámos a sentir-nos inspirados por uma nova força e orientação, desde que nos dispuséssemos a tomar outras medidas simples. Percebemos que Deus não impõe condições muito difíceis àqueles que O procuram. Para nós, o Reino do Espírito é vasto, amplo, ilimitado, onde não há lugar para exclusão nem interdição para os que o buscam com sinceridade. Cremos que está aberto a todos.
Assim, quando falamos de Deus, referimo-nos à concepção pessoal de cada um. Isto aplica-se de igual modo a outras expressões espirituais que se encontram neste livro. Não deixe que qualquer preconceito seu contra termos espirituais o impeça de reflectir honestamente sobre o significado que cada um deles tem para si. De princípio, era só disto que precisávamos para dar início ao nosso crescimento espiritual e para estabelecer a nossa primeira relação com Deus, como O concebíamos. Em seguida, vimos que começámos a aceitar muitas coisas que nos pareciam completamente inacessíveis. Isto já era o crescimento, mas, se quiséssemos progredir, tínhamos de começar por qualquer lado. Usámos consequentemente a nossa própria concepção, por mais limitada que fosse.
Só tínhamos que fazer uma simples pergunta: "Acredito mesmo, ou estou disposto a acreditar, que existe um Poder superior a mim próprio?" Logo que uma pessoa diga que acredita efectivamente, ou que se dispõe a acreditar, podemos assegurar-lhe categoricamente que está no caminho certo. Tem-se comprovado repetidamente entre nós que, a partir deste simples fundamento, se pode edificar uma estrutura espiritual da mais extraordinária eficácia.(1)
Para nós, isto foi uma grande novidade, porque supúnhamos que não podíamos pôr em prática princípios espirituais a não ser que admitíssemos muitas coisas com fé que nos pareciam difíceis de aceitar. Sempre que nos falavam em termos espirituais, quantas vezes dizíamos: "Quem me dera ter o que ele tem. Tenho a certeza de que tudo seria melhor, se tivesse a mesma fé, mas não consigo aceitar como verdadeiros os artigos de fé que para ele são tão evidentes." Foi portanto reconfortante saber que podíamos começar a partir dum nível mais elementar.
Para além de uma aparente incapacidade para aceitarmos muitas coisas sobre a fé, colocámo-nos muitas vezes em situações de desvantagem provocadas por teimosia, susceptibilidade exagerada e preconceitos cegos. Muitos de nós reagíamos com tanta irritação mesmo perante referências fortuitas a assuntos espirituais, que nos enfurecíamos de antagonismo. Era preciso abandonar esta maneira de pensar.
Embora alguns de nós resistíssemos, não tivemos grande dificuldade em pôr de lado tais sentimentos. Perante a destruição alcoólica, tivemos que nos tornar receptivos a assuntos espirituais com a mesma abertura de espírito que tínhamos adoptado perante outras questões. Neste aspecto o álcool foi um extraordinário factor de persuasão. Acabou por nos vencer a ponto de nos tornar razoáveis. Este processo arrastava-se frequentemente de um modo fastidioso mas esperamos que ninguém se agarre durante tanto tempo aos seus preconceitos como alguns de nós nos agarrámos.
Pode ser que o leitor ainda se questione por que deve acreditar num Poder superior a si mesmo. Pensamos que há boas razões para isso. Vejamos algumas:
A mentalidade prática do homem de hoje exige factos e resultados concretos. Apesar disso, no século vinte, aceitam-se prontamente teorias de todos os géneros, desde que apoiadas em factos comprovados. Temos, por exemplo, inúmeras teorias sobre a electricidade. Toda a gente as aceita sem sombra de dúvida. Porquê esta aceitação tão fácil? Simplesmente porque é impossível explicar aquilo que vemos, sentimos, dirigimos e usamos, sem uma suposição razoável como ponto de partida.
Actualmente aceitam-se dezenas de pressupostos para os quais há evidência concreta mas nenhuma demonstração objectiva visível. E a ciência não demonstra que a prova visível é a menos sólida de todas? À medida que se estuda o mundo material, tem-se constantemente verificado que as aparências externas não correspondem de modo nenhum à realidade intrínseca. Eis um exemplo:
Uma banal trave de aço é uma massa de electrões girando à volta uns dos outros a uma velocidade incrível. Estes pequeninos corpos são governados por leis precisas e estas leis impõem-se no conjunto do mundo material. Assim nos diz a ciência. Não temos nenhuma razão para duvidar. Mas quando se adianta a hipótese completamente lógica que, por detrás do mundo físico e da vida, como a observamos, existe uma Inteligência toda-poderosa, orientadora e criadora, imediatamente vem à superfície a nossa tendência perversa e empregamos todo o nosso esforço para nos convencermos do contrário. Lemos livros eruditos e entregamo-nos a discussões estéreis, julgando que é possível prescindir de Deus para explicar o universo. Se as nossas pretensões fossem verdadeiras, isso implicaria que a vida provém do nada, nada significa e a nada conduz.
Em vez de nos considerarmos como agentes inteligentes, expressão mais perfeita da Criação divina sempre em evolução, nós, os agnósticos e ateus, preferimos acreditar que a inteligência humana representa a última palavra, o alfa e ómega, o princípio e fim de tudo. Que vaidade a nossa, não é verdade?
Nós, que percorremos este caminho tão duvidoso, pedimos que ponham de lado os vossos preconceitos, mesmo aqueles contra a religião organizada. Aprendemos que quaisquer que sejam as fragilidades humanas dos vários credos, esses credos têm dado a milhões de pessoas um propósito e orientação. As pessoas de fé têm uma ideia lógica da vida. Na realidade, nós não tínhamos qualquer espécie de concepção. Divertíamo-nos a dissecar cinicamente crenças e práticas espirituais em vez de ver que as pessoas com orientação espiritual, de todas as raças, cores e credos, manifestavam um grau de estabilidade, felicidade e utilidade que devíamos ter procurado para nós próprios.
Em vez disso, olhávamos para os defeitos humanos destas pessoas, e por vezes utilizávamos as suas imperfeições como fundamento para fazer críticas generalizadas. Falávamos de intolerância quando éramos nós próprios intolerantes. Escapava-nos a realidade e a beleza da floresta por nos fixarmos na fealdade dumas tantas árvores. Nunca olhámos com verdadeira imparcialidade para o lado espiritual da vida.
Nas nossas histórias pessoais encontra-se uma enorme variedade de maneiras como cada um dos narradores aborda e concebe o Poder superior a si próprio. Estar ou não de acordo com uma determinada abordagem ou concepção particular parece ter pouca importância. A experiência ensinou-nos que há assuntos sobre os quais não precisamos de nos preocupar para a finalidade que nos propomos. São assuntos que cada um tem de resolver por si mesmo.
Num aspecto, porém, estes homens e mulheres estão surpreendentemente de acordo. Cada um encontrou a sua via de acesso a um Poder superior a si mesmo, em que acredita. E, em cada caso, esse Poder realizou, de um modo milagroso, o que era humanamente impossível. Como disse um célebre estadista Americano: "Os resultados falam por si".
Aqui estão milhares de homens e mulheres certamente com experiência da vida. Declaram categoricamente que houve uma mudança revolucionária na sua maneira de pensar e de viver, desde que vieram a acreditar num Poder superior a si mesmos, a ter uma determinada atitude em relação a esse Poder e a pôr em prática certas coisas simples. Confrontados com o colapso e desespero, e perante o fracasso total dos seus recursos humanos, sentiram-se animados por uma nova força, paz, felicidade e sentido de orientação. Isto deu-se depois de se terem submetido sem reservas a determinados requisitos elementares. Antes confusos e desconcertados pela aparente futilidade da existência, expõem agora as razões fundamentais que lhes tornavam a vida tão difícil. Para além do problema da bebida, explicam porque é que a vida tinha tão pouco sentido. Demonstram como a mudança se produziu neles. Quando várias centenas de pessoas se prontificam a dizer que a tomada de consciência da Presença de Deus constitui agora o elemento mais importante das suas vidas, elas apresentam uma poderosa razão para que se deva ter fé.
Neste mundo têm-se feito mais progressos materiais durante este último século do que nos milénios precedentes. Quase todos conhecem a razão. Investigadores de História Antiga afirmam que a inteligência humana de então era idêntica à actual. Porém, o progresso material era extremamente lento na Antiguidade. O espírito científico moderno de pesquisa, investigação e invenção era praticamente desconhecido. No domínio material, o espírito humano estava dominado pela superstição, tradição e por todo o género de ideias fixas. Contemporâneos de Colombo consideravam absurdo que a terra fosse redonda. Outros quase condenaram Galileu à morte pelas suas heresias em Astronomia.
Perguntamo-nos a nós próprios: não será a nossa atitude em relação ao mundo espiritual tão tendenciosa e tão pouco razoável como a dos antigos em relação ao mundo material? Mesmo no nosso século, jornais americanos hesitaram em publicar a notícia do primeiro voo realizado com êxito pelos irmãos Wright em Kitty Hawk. Não tinham pois fracassado até aí todas as tentativas de voar? A máquina voadora do Professor Langley não caiu no fundo do rio Potomac? Não foi verdade que os maiores matemáticos tinham demonstrado que o homem nunca poderia voar? As pessoas não tinham afirmado que Deus tinha reservado este privilégio para os pássaros? No entanto, trinta anos mais tarde a conquista do ar passou à história e as viagens de avião tornaram-se extremamente comuns.
Porém, na maioria dos domínios, a nossa geração tem presenciado uma total libertação na maneira de pensar. Mostre-se a qualquer estivador um suplemento de jornal de domingo que descreve um projecto para explorar a lua por meio de uma nave espacial e ele dirá: "Aposto que vão conseguir - e talvez mais cedo do que se pensa". Não se caracteriza a nossa época pela facilidade com que trocamos velhas ideias por novas e pela absoluta prontidão com que nos desfazemos de uma teoria ou invenção ineficaz para as substituir por outras que sirvam?
Tivemos de nos interrogar porque é que não aplicávamos aos nossos problemas humanos a mesma prontidão para mudar os nossos pontos de vista. Tínhamos dificuldades com relações pessoais, não conseguíamos controlar a nossa natureza emocional, éramos vítimas de infelicidade e depressão, não encontrávamos um meio de vida, tínhamos um sentimento de inutilidade, estávamos cheios de medo, sentíamo-nos infelizes, parecia que não conseguíamos ter utilidade para os outros - uma solução de base para estes tormentos não era mais importante do que a possibilidade de ver documentários sobre voos espaciais? Claro que era.
Quando víamos outras pessoas resolver os seus problemas confiando simplesmente no Espírito do Universo, tivemos que deixar de duvidar do poder de Deus. As nossas ideias não resultavam, mas a ideia de Deus sim.
A fé quase infantil dos irmãos Wright, de que conseguiriam construir uma máquina voadora, foi a fonte principal do seu êxito. Sem isso, nada teria acontecido. Nós, os agnósticos e ateus continuávamos agarrados à ideia de que a auto-suficiência conseguiria resolver os nossos problemas. Quando os outros nos demonstravam que a confiança em Deus resultava para eles, nós reagíamos como aqueles que insistiam que os irmãos Wright nunca voariam.
A lógica é uma coisa extraordinária. Éramos seus defensores e ainda somos. Não foi por acaso que nos foi concedida a faculdade de raciocinar, de verificar a evidência dos sentidos e de tirar conclusões. É um dos atributos magníficos do ser humano. Aqueles de nós de tendência agnóstica não ficaríamos satisfeitos com uma teoria que não se submetesse a um exame ou interpretação racional. Daí o facto de termos dificuldade em explicar porque pensamos que a nossa actual fé não contradiz a razão, porque pensamos que é mais saudável e lógico acreditar do que não acreditar, porque dizemos que a nossa antiga maneira de pensar era inconsistente e vaga, visto que nos fazia concluir com um gesto de dúvida e impaciência, "Não sabemos".
Quando nos tornámos alcoólicos, derrotados por uma crise inadiável e inevitável que infligimos a nós próprios, tivemos de encarar sem medo a alternativa de que Deus era tudo ou não era nada. Deus é ou não é. Qual seria a nossa escolha?
Chegados a este ponto, vimo-nos directamente confrontados com o problema da fé. Não podíamos fugir à questão. Alguns de nós já tínhamos feito um longo percurso sobre a Ponte da Razão em direcção à margem da fé. Os contornos da nova Terra Prometida tinham dado brilho aos olhos cansados e coragem aos espíritos desanimados. Mãos amigas abriam-se em sinal de acolhimento. Sentíamo-nos gratos por a Razão nos ter levado tão longe. Mas, mesmo assim, hesitávamos em saltar para terra. Talvez nos tivéssemos apoiado excessivamente na Razão na última fase do percurso para não querermos perder esse apoio.
Isto era uma reacção natural, mas vejamos de mais perto a situação. Sem termos a noção disso, não tínhamos sido conduzidos por um certo tipo de fé até ao ponto onde estávamos? Não era uma forma de fé o que tínhamos em relação ao que pensávamos? Não tínhamos confiança na nossa capacidade para pensar? O que era isso senão uma forma de fé? Com efeito, tínhamos acreditado, e de uma maneira servil no Deus da Razão. Assim descobrimos que, de uma maneira ou doutra, a fé tinha estado sempre presente!
Descobrimos também que tínhamos venerado sempre alguma coisa. Que arrepio mental que isso nos causava! Não tínhamos nós de várias formas adorado pessoas, sentimentos, coisas, dinheiro e nós próprios? E mais ainda, embora por melhores motivos, não tínhamos também venerado o pôr do sol, o mar ou uma flor? Quem de nós não se tinha apaixonado por uma coisa ou por alguém? E o que tinham estes sentimentos, estes amores, estas venerações a ver com a razão? Pouco ou nada, concluímos por fim. E tudo isto não era a matéria de que era feita a nossa vida? Não eram estes sentimentos que, no entanto, determinavam o curso da nossa existência? Era impossível dizer que não tínhamos capacidade para crer, para amar ou para adorar. Duma maneira ou doutra, tínhamos vivido pela fé e pouco mais.
Imagine-se a vida sem fé! Se não houvesse nada excepto a razão, isso não seria vida. Mas nós acreditávamos na vida, claro que acreditávamos. Não podíamos demonstrar a vida do mesmo modo que se demonstra que uma linha recta é o caminho mais curto entre dois pontos, mas contudo isso era um facto. Será que ainda poderíamos afirmar que tudo isto não passava de uma massa de electrões criados a partir do nada, sem nenhum significado e movendo-se em direcção a um destino nulo? Claro que não podíamos. Os próprios electrões tinham uma inteligência superior a isso. Pelo menos era o que afirmava a Química.
Percebemos assim que a razão não é tudo. Nem se pode depender inteiramente da razão, da maneira como a maior parte de nós a utiliza, mesmo vindo das melhores cabeças. E aqueles que demonstraram que o homem nunca poderia voar?
Contudo, temos estado a assistir a um outro tipo de voo, o da libertação espiritual deste mundo, o voo daqueles que se elevam acima dos seus problemas. Foi Deus, disseram eles, que tinha tornado isto possível e nós limitávamo-nos a sorrir. Tínhamos assistido à libertação espiritual, mas preferíamos dizer que não era verdade.
Na realidade estávamos a iludir-nos a nós próprios, porque no mais fundo de cada homem, mulher e criança existe a ideia fundamental de Deus. Pode ficar obscurecida por calamidades, ostentação ou pela idolatria de outras coisas, mas duma maneira ou doutra ela está lá. Porque a fé num Poder superior a nós próprios e as demonstrações milagrosas desse poder em vidas humanas são factos tão velhos como o próprio homem.
Apercebemo-nos por fim de que a fé num Deus qualquer fazia parte da nossa natureza, tal como o sentimento que temos por um amigo. Por vezes tivemos de procurar sem medo, mas Ele estava lá. Ele era tão real como nós. Encontrámos a Grande Realidade no mais fundo de nós mesmos. Em última análise é só mesmo aí que se consegue encontrar Deus. E foi o que se passou connosco.
Nós só podemos desbravar um pouco o terreno. Se o nosso testemunho contribuir para afastar preconceitos, se o ajudar a pensar honestamente e o encorajar a procurar com diligência dentro do si mesmo, então, se quiser, poderá juntar-se a nós na Grande Via. Com esta atitude não pode falhar. A consciência da sua crença chegará seguramente.
Poderão ler neste livro (2) a experiência de um homem que julgava ser ateu. A sua história é tão interessante que vale a pena contar já aqui uma parte. A sua mudança de atitude foi dramática, convincente e comovente.
O nosso amigo era filho dum pastor protestante. Ele frequentou a escola paroquial onde se revoltou contra o que considerava ser uma dose excessiva de educação religiosa. Em seguida, sentiu-se perseguido durante anos por problemas e frustrações. Falência, loucura, uma doença fatal e suicídio - todas estas desgraças na sua famíla próxima amarguraram-no e deprimiram-no. O desencantamento do após guerra, um alcoolismo cada vez mais acentuado e o eminente colapso mental e físico, levaram-no à autodestruição.
Uma noite, internado num hospital, recebeu a visita dum alcoólico que tinha tido uma experiência espiritual. Cheio de raiva, gritou amargamente: "Se há Deus, Ele não tem feito nada por mim". Porém, mais tarde, sozinho no quarto, interrogou-se: "Será possível que todas as pessoas crentes que conheço estejam erradas?". Enquanto tentava encontrar a resposta, sentiu-se como se estivesse no inferno. De repente, como um raio, veio-lhe uma ideia ao espírito que excluiu todas as outras:
"Quem és tu para dizer que não há Deus?"
Como ele próprio conta, saltou da cama para se pôr de joelhos. Em poucos segundos, sentiu-se invadido pela convicção da Presença de Deus. Este sentimento invadiu-o e penetrou-o com a segurança e majestade de uma maré crescente. Desapareceram as barreiras que tinha construído durante anos. Ele estava na Presença do Poder Infinito e do Amor. Tinha passado da ponte para a margem. Pela primeira vez vivia consciente na companhia do seu Criador.
Deste modo foi colocada no seu lugar a pedra angular do nosso amigo, que nenhuma vicissitude posterior veio abalar. O seu problema alcoólico foi removido. Nessa mesma noite, sobre a qual já passaram muitos anos, o problema desapareceu. Excepto por uns breves momentos de tentação, em que sentiu uma enorme repugnância pelo álcool, a ideia de voltar a beber nunca mais lhe voltou. Dir-se-ia que não conseguia beber mais, mesmo se quisesse. Deus tinha-lhe restituído a sanidade.
O que é isto senão um milagre de recuperação? Porém tudo é bem simples neste milagre. As circunstâncias fizeram com que ele se dispusesse a crer. Humildemente ofereceu-se ao seu Criador - e abriram--se-lhe os olhos.
Foi assim que Deus nos restituiu a razão a todos nós. Para este homem, a revelação foi súbita. Para alguns de nós o processo é mais lento. Mas Deus manifestou-se a todos aqueles que O procuraram honestamente.
Quando nos aproximámos de Deus, Ele revelou-se-nos!


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