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Alcoólicos Anónimos Grupo 1 de Maio


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Livro Azul Capítulo 10

AOS EMPREGADORES

De entre os muitos empregadores de hoje em dia, pensamos em particular num dos nossos membros que passou muito tempo da sua vida no mundo dos grandes negócios. Ele contratou e despediu centenas de homens. Conhece o alcoólico do ponto de vista do empregador. As suas actuais opiniões devem ser de extrema utilidade para todos os homens de negócios.
Mas ele que conte:
Uma vez fui assistente de direcção num departamento de uma empresa que empregava seis mil e seiscentos homens. Um dia a minha secretária veio dizer-me que o Sr. B. insistia em falar comigo. Disse-lhe para responder que não estava interessado em falar com ele. Tinha-o prevenido várias vezes que só lhe restava mais uma oportunidade. Pouco tempo depois, tinha-me telefonado de Hartford dois dias seguidos tão bêbedo que mal conseguia falar. Eu disse-lhe que era o fim de uma vez por todas.
A minha secretária voltou de novo para me dizer que não era o Sr. B. que estava ao telefone; era o irmão do Sr. B. que me queria dar um recado. Eu ainda estava à espera de um pedido de clemência, mas o que ouvi ao telefone foram estas palavras: "Só lhe queria dizer que Paul se atirou da janela de um hotel em Hartford no sábado passado. Deixou-nos um bilhete a dizer que o senhor era o melhor chefe que ele jamais teve e que não havia a menor culpa a atribuir-lhe."
Uma outra vez, ao abrir uma carta que estava em cima da minha secretária, caiu um recorte de jornal. Era a notícia de óbito de um dos melhores vendedores que eu tivera ao meu serviço. Depois de duas semanas a beber, disparou com o dedo do pé o gatilho de uma espingarda carregada, cujo cano tinha posto na boca. Seis semanas antes tinha-o despedido por causa da bebida.
Ainda outra experiência: recebi uma chamada interurbana do estado de Virginia em que me chegava indistintamente a voz de uma mulher. Ela queria saber se estava ainda em vigor o seguro que o marido tinha na empresa. Quatro dias antes tinha-se enforcado no seu telheiro. Eu tinha sido obrigado a despedi-lo por causa da bebida, embora ele fosse brilhante, activo e um dos melhores organizadores que jamais conheci.
Aqui estão três homens excepcionais perdidos para este mundo, porque eu não compreendia o alcoolismo como o compreendo agora. Que ironia - eu próprio me tornei alcoólico! E se não fosse pela intervenção de uma pessoa compreensiva, eu poderia ter seguido o mesmo caminho. A minha queda custou ao mundo dos negócios quantias incalculáveis de milhares de dólares, porque é necessário muito dinheiro para formar um executivo. Este género de gastos continua sem diminuir. Consideramos que isto constitui uma situação que afecta a própria estrutura do mundo dos negócios e que poderia corrigir-se com uma melhor compreensão de todas as partes implicadas.
Praticamente todo o empregador moderno sente responsabilidade moral pelo bem-estar do seu pessoal e tenta assumir essa responsabilidade. Que nem sempre tenha tomado esta atitude em relação ao alcoólico, é facilmente compreensível. Para ele, o alcoólico sempre lhe pareceu um perfeito idiota. Dada a particular competência do empregado ou a sua forte ligação de amizade pessoal com ele, o empregador tem por vezes mantido esse homem no seu lugar de trabalho mais tempo do que é razoável. Alguns empregadores tentaram todas as soluções possíveis. Só em poucos casos houve falta de paciência e de tolerância. E nós, que abusámos dos melhores empregadores, mal podemos criticá-los por terem sido impacientes connosco.
Eis um exemplo típico: um funcionário de uma das maiores instituições bancárias dos Estados Unidos da América sabe que eu já não bebo. Um dia falou-me de um executivo do mesmo banco que, de acordo com a descrição que ele me fez, era sem dúvida um alcoólico. Pareceu-me a ocasião certa para ser útil e assim passei duas horas a falar sobre alcoolismo como uma doença e descrevi o melhor que pude os sintomas e os efeitos. "Muito interessante", comentou ele, "mas tenho a certeza de que esse homem não volta a beber. Acabou de voltar de uma licença de três meses, fez uma cura, está com bom aspecto e para rematar o assunto, o conselho de direcção disse-lhe que esta era a sua última oportunidade."
A única resposta que me ocorreu foi que, se este homem seguisse o padrão habitual, acabaria por apanhar a maior bebedeira da sua vida. Senti que isto era inevitável e interroguei-me se o banco não estaria a cometer uma injustiça em relação a ele. Por que não pô-lo em contacto com alguns membros do nosso grupo? Podia ser uma oportunidade para ele. Expliquei que já não bebia uma gota de álcool há três anos, e isto enfrentando dificuldades que fariam com que nove em cada dez homens bebessem à saciedade. Por que não dar-lhe ao menos a oportunidade de ouvir a minha história? "Não, não", disse o meu amigo, "ou este homem acaba com o álcool, ou fica sem emprego. Se ele tiver a força de vontade e coragem que você teve, vencerá."
Desanimado, quase que levei as mãos à cabeça, porque percebi que tinha fracassado no meu esforço para ajudar o meu amigo bancário a compreender a situação. Ele não podia simplesmente acreditar que o seu colega executivo sofria de uma grave doença. Não havia nada a fazer senão esperar.
Com efeito, o homem recaiu e foi despedido. Depois do seu despedimento contactámos com ele. Sem grandes problemas, ele aceitou os princípios e o método que nos tinham ajudado. Ele está sem dúvida no caminho da recuperação. Para mim, este incidente revela incompreensão quanto ao que aflige realmente o alcoólico, assim como uma falta de conhecimentos dos empregadores sobre aquilo que poderiam beneficiar em recuperar os seus funcionários doentes.
Se você quiser ajudar, será preferível não utilizar como critério o seu próprio consumo de bebida ou a sua abstinência. Quer você seja um bebedor excessivo, um bebedor moderado ou não toque em álcool, terá provavelmente opiniões já formadas e mesmo preconceitos a este respeito. Os que bebem moderadamente ficarão talvez mais incomodados perante um alcoólico do que ficará uma pessoa totalmente abstémia. Quem bebe ocasionalmente e compreende as suas próprias reacções, é natural que adquira segurança em relação a certas coisas, o que não é o caso do alcoólico. Como bebedor moderado, pode beber ou não beber. Basta querer, e é-lhe possível controlar a sua maneira de beber. Numa noitada, pode exceder o seu consumo habitual e apanhar uma ligeira bebedeira, mas levanta-se na manhã seguinte, abana a cabeça e vai trabalhar. Para essa pessoa, o álcool não é realmente um problema e não consegue perceber que o possa ser para os outros, a não ser que sejam fracos e estúpidos.
Quando se lida com um alcoólico, é natural que se sinta irritação perante uma pessoa que parece ser tão fraca, imbecil e irresponsável. Mesmo quando se compreende melhor a doença, é provável que surja este sentimento.
Observar o alcoólico na sua empresa é frequentemente muito elucidativo. Não é ele em regra geral brilhante, de espírito vivo, imaginativo e agradável? Quando está sóbrio, não trabalha afincadamente e não possui uma aptidão para cumprir com eficiência as suas obrigações? Se tivesse estas qualidades e não bebesse, não valeria a pena conservá-lo? Não terá ele direito à mesma consideração que os outros empregados doentes? Será que vale a pena recuperá-lo? Se, por razões humanitárias ou económicas, ou mesmo por ambas, a sua decisão for afirmativa, então podem ser úteis as seguintes sugestões.
Você consegue abstrair-se do sentimento de que está simplesmente a lidar com um hábito, uma teimosia ou uma vontade fraca? Se for esta a dificuldade, valerá a pena reler o segundo e terceiro capítulos, que descrevem detalhadamente a doença alcoólica. Como homem de negócios, tem de saber o que é preciso antes de avaliar os resultados. Se admitir que o seu empregado está doente, pode perdoá-lo pelo que ele fez no passado? Pode esquecer as coisas incríveis que ele fez? Pode levar em consideração que ele foi vítima de um pensamento destorcido, directamente causado pela acção do álcool no cérebro?
Lembro-me bem do choque que tive quando um eminente médico de Chicago me contou de casos em que a pressão do fluido da coluna vertebral produzia de facto uma ruptura do cérebro. Não é de estranhar que o alcoólico seja estranhamente irracional. Quem não o seria com um cérebro tão perturbado? Os bebedores normais não são tão afectados nem podem compreender as aberrações do alcoólico.
Provavelmente este seu empregado tem tentado esconder uma série de dificuldades, algumas talvez menos edificantes. Podem mesmo ser chocantes. Você pode não conseguir compreender como é que uma pessoa aparentemente tão correcta se tenha comprometido a tal ponto. Mas estas complicações, independentemente da sua gravidade, podem geralmente ser atribuídas ao efeito do álcool no seu espírito. Quando está a beber ou a saír de uma bebedeira, o alcoólico, que por vezes é um modelo de honestidade no seu estado normal, é capaz de fazer coisas inconcebíveis. A seguir, a sua náusea e revolta serão terríveis. Quase sempre estas extravagâncias não são mais do que situações passageiras.
Com isto não se quer dizer que todos os alcoólicos sejam honestos e correctos quando não estão a beber. Claro que não é assim, e frequentemente essas pessoas podem tornar-se abusivas. Ao ver o esforço para compreender e ajudar, algumas tentarão aproveitar-se da sua bondade. Se tem a certeza de que o seu empregado não quer deixar de beber, o melhor é despedi-lo e, quanto mais depressa, melhor. Mantendo-o no emprego não lhe está a fazer favor nenhum. Despedi-lo, pode vir a ser uma bênção para ele. Pode ser justamente o empurrão de que ele precisa. Eu sei que no meu próprio caso, nada do que a minha empresa pudesse ter feito por mim me teria levado a deixar de beber porque, na medida em que eu conservasse o meu lugar, não poderia de maneira nenhuma aperceber-me da gravidade da minha situação. Se me tivessem despedido logo de início e dado os passos necessários para que me fosse proposta a solução apontada neste livro, teria possivelmente voltado para o meu trabalho como um homem restabelecido ao fim de seis meses.
Há porém muitos homens que querem parar e, com estes, pode-se ir muito longe. O tratamento adequado destes casos poderá trazer dividendos.
Talvez esteja a pensar num empregado deste género. Ele quer deixar de beber e você quer ajudá-lo, mesmo que seja apenas por ser um bom negócio para a sua empresa. Agora você já tem um melhor conhecimento sobre alcoolismo. Pode aperceber-se de que ele está mental e fisicamente doente, e você está disposto a passar por cima do seu comportamento passado. Imagine uma abordagem nestes termos:
Diga-lhe que tem conhecimento de que ele bebe e que tem de parar. Pode dizer-lhe que aprecia as suas capacidades, que gostaria de o conservar, mas que isso não é possível se ele continuar a beber. Uma atitude firme nestas circunstâncias tem ajudado muitos de nós.
A seguir assegure-lhe que não o pretende preleccionar, moralizar ou condenar, e que, se já o fez, foi por desinformação. Se possível, mostre que não tem nenhuma animosidade contra ele. Por esta altura seria bom explicar-lhe o alcoolismo enquanto doença. Diga-lhe que acredita que ele é uma pessoa gravemente doente, que a sua condição pode ser fatal e pergunte-lhe se ele quer ou não tratar-se. Explique-lhe que se lhe faz esta pergunta é porque existem muitos alcoólicos que, já de tão intoxicados e destorcidos, não querem deixar de beber. E ele quer? Estará disposto a dar todos os passos necessários, submeter-se ao que for preciso para ficar bem, para deixar definitivamente de beber?
Se ele disser que sim, estará realmente a ser sincero ou a pensar no seu íntimo que o que ele quer é enganá-lo e que, depois do descanso e tratamento, poderá beber de vez em quando sem que isso se note? Consideramos que é necessário verificar com rigor a sinceridade dele nestes aspectos. Assegure-se de que não o está a enganar ou a enganar--se a ele mesmo.
Fica ao seu critério mencionar ou não este livro. Se ele procurar ganhar tempo e pensar que ainda pode voltar a beber, nem que seja só cerveja, o melhor é despedi-lo depois da próxima bebedeira, que se seguirá quase de certeza se ele for alcoólico. É preciso fazê-lo compreender isto claramente. Você está ou não a tratar com um homem que pode e quer ficar bem. Se não está, para quê perder tempo com ele? Isto pode parecer muito duro mas geralmente é o melhor procedimento.
Depois de estar convencido de que o homem quer recuperar e de que ele fará tudo e mais alguma coisa para o conseguir, pode sugerir-lhe um programa concreto de acção. Para a maioria dos alcoólicos que estão a beber ou que acabam de saír de uma bebedeira, é conveniente e, por vezes mesmo imprescindível, algum tratamento clínico. A questão deste tratamento deve naturalmente ser remetida para o seu próprio médico. Qualquer que seja o método, a sua finalidade é a de uma completa limpeza mental e física dos efeitos do álcool. Em mãos competentes, o tratamento é raramente prolongado e não muito caro. A pessoa passará assim muito melhor se for posta em condições físicas que lhe permitam pensar claramente sem sentir a compulsão pelo álcool. Se lhe propuser um tal procedimento, pode ser necessário adiantar-lhe o custo do tratamento mas, em nossa opinião, ele deverá compreender que qualquer despesa será mais tarde deduzida no seu vencimento. É preferível que se sinta inteiramente responsável.
Se o seu empregado aceitar a sua proposta, deverá fazer-lhe ver que o tratamento físico é apenas uma parte do quadro. Embora lhe proporcione os melhores cuidados médicos possíveis, ele precisa de compreender que tem de mudar de atitude. Para superar a bebida é necessária uma transformação de pensamentos e atitudes. Todos nós tivemos de pôr a nossa recuperação acima de tudo, porque sem a recuperação teríamos perdido tanto a casa como o emprego.
Será que você consegue ter toda a confiança na capacidade dele para recuperar? E a propósito de confiança, é capaz de adoptar a atitude, no que lhe diz respeito a si, de tratar este assunto como estritamente pessoal e de nunca abordar as suas negligências por causa do álcool nem o tratamento que ele vai fazer, sem o consentimento dele? Seria bom ter uma longa conversa com ele depois do seu regresso.
Voltemos ao assunto deste livro: ele contém sugestões completas para que o empregado possa resolver o seu problema. Para si, algumas das ideias aqui expressas são novidade. É possível que não esteja inteiramente de acordo com a abordagem proposta. Não é nada nossa intenção apresentá-la como a última palavra nesta matéria, mas no que nos diz respeito, só podemos dizer que resultou para nós. No fundo, são os resultados e não os métodos que você procura, não é verdade? Quer o seu empregado goste ou não, ele aprenderá a verdade impiedosa sobre o alcoolismo, o que não lhe fará mal nenhum, mesmo que ele não adopte o remédio.
Sugerimos que leve este livro à atenção do médico que se vai ocupar do paciente durante o tratamento clínico. Se o paciente ler o livro logo que esteja capaz de o fazer, e ainda em fase de grande depressão, é possível que ele se aperceba do estado em que está.
Esperamos que o médico diga ao paciente a verdade sobre a sua condição qualquer que ela seja. Quando se der este livro ao paciente, será melhor não lhe dizer que ele tem de seguir as sugestões. Ele tem de decidir por si próprio.
Você está com certeza a contar com que a sua nova atitude e o conteúdo deste livro lhe vão resolver o problema. Nalguns casos sim, noutros é possível que não. Pensamos, no entanto, que se perseverar, a percentagem de êxitos será gratificante. À medida que o nosso trabalho se torna conhecido e aumenta o número de membros, esperamos que os vossos empregados possam ser postos em contacto pessoal com alguns de nós. Entretanto, temos a certeza de que apenas com este livro se podem obter muito bons resultados.
Quando o seu empregado voltar, fale com ele. Pergunte-lhe se acha que encontrou a resposta. Se ele se sentir à vontade para falar dos seus problemas consigo, se souber que tem a sua compreensão e que você não vai ficar incomodado com nada do que lhe queira contar, ele provavelmente está no bom caminho.
Neste caso, será que você consegue ficar imperturbável se ele lhe começar a contar coisas escandalosas? Ele pode, por exemplo, revelar que tem aldrabado as notas de despesa ou que planeou roubar-lhe os melhores clientes. Com efeito, se ele aceitou a nossa solução que exige, como você sabe, uma rigorosa honestidade, ele pode até dizer quase tudo. Será você capaz de esquecer tudo isto, como faria com uma dívida de cobrança duvidosa e começar tudo de novo? Se ele lhe deve dinheiro, é possível que você queira chegar a um acordo.
Se ele falar da sua situação em casa, você pode sem dúvida dar-lhe sugestões úteis. Será que ele pode falar francamente consigo, desde que não faça intrigas na empresa e não critique os colegas de trabalho? Com este género de empregado, uma tal atitude inspirará uma lealdade total.
Para nós, alcoólicos, os nossos maiores inimigos são o ressentimento, o ciúme, a inveja, a frustração e o medo. Onde quer que se juntem pessoas de negócios, haverá sempre rivalidades que darão origem a uma certa dose de politiquice no trabalho. Nós, os alcoólicos, temos por vezes a impressão de que os outros nos querem deitar a baixo. Frequentemente não é de todo o caso. Mas, por vezes, a nossa maneira de beber poderá servir intenções alheias.
Ocorre-nos o caso de um indivíduo malicioso que estava sempre a dar piadas sobre as proezas de um colega alcoólico quando ele bebia. Era um modo dissimulado de fazer intrigas. Num outro caso, um alcoólico foi internado num hospital para tratamento. A princípio, só poucos sabiam, mas em pouco tempo era do conhecimento geral de toda a empresa. É claro que isto reduziu as possibilidades de recuperação deste homem. O empregador pode muitas vezes proteger a vítima deste género de rumores. Ele tem de ser imparcial, mas pode sempre proteger um indivíduo de provocações desnecessárias e de críticas injustas.
Em geral os alcoólicos são pessoas dinâmicas. Tanto trabalham duramente como se divertem à grande. O seu empregado deverá estar disposto a pôr-se à prova para dar o seu melhor. Estando um pouco debilitado e ainda numa fase de reajuste físico e mental a uma vida sem álcool, é capaz de exagerar. Terá possivelmente que refrear o seu impulso para trabalhar dezasseis horas por dia. Pode precisar de o encorajar para que ele se divirta de vez em quando. Pode ser que ele queira fazer muito por outros alcoólicos e que isto aconteça durante as horas de trabalho. Uma certa flexibilidade pode ajudar. Este tipo de trabalho é necessário para manter a sua sobriedade.
Depois do seu empregado ter estado uns meses sem beber, poderá aproveitar os seus serviços com outros que lhe estão a causar problemas por causa da bebida, desde que naturalmente eles aceitem a intervenção de terceiros. Um alcoólico recuperado, mesmo que tenha um cargo de pouca importância, consegue intervir junto de um empregado numa posição superior. Com os princípios de vida radicalmente diferentes que tem, nunca tirará vantagem da situação.
Pode ter confiança nele. Com a sua longa experiência de desculpas de alcoólicos, é muito natural que você se sinta desconfiado. Da próxima vez que a mulher dele telefone a dizer que está doente, pode ser que chegue à conclusão de que ele está é bêbedo. Se for esse o caso e se ele ainda quiser recuperar, será ele a ter que o admitir, mesmo que isso signifique perder o emprego, porque sabe que tem de ser honesto se quiser viver. Ele ficará contente por saber que você não se preocupa demasiado com ele, que não está desconfiado nem a tentar dirigir a sua vida de modo a protegê-lo da tentação da bebida. Se ele estiver a seguir conscientemente o programa de recuperação, pode ir para onde quer que a empresa o chame.
Caso ele recaia, nem que seja uma só vez, você terá que decidir se o quer ou não despedir. Se tiver a certeza de que ele não está a levar o caso a sério, não há dúvida de que então deverá despedi-lo. Se, pelo contrário, tem a certeza de que ele está a fazer tudo o que pode, poderá querer dar-lhe uma outra oportunidade. Mas não se deve sentir de maneira nenhuma obrigado a mantê-lo, porque você já cumpriu com a sua obrigação.
Há outra coisa que talvez você possa fazer. Se a sua empresa for grande, pode dar a conhecer este livro aos quadros mais jovens. Pode dar-lhes a perceber que, na sua empresa, não tem nada contra alcoólicos. Estes jovens executivos estão por vezes numa situação difícil. Homens que eles chefiam são muitas vezes seus amigos, de modo que por uma razão ou outra, eles encobrem-nos na esperança de que tudo se recomponha. Por vezes põem em perigo os seus próprios lugares ao tentar ajudar indivíduos que bebem em excesso e que já deviam ter sido despedidos há muito tempo ou a quem deveria ter sido dada uma oportunidade de se recuperarem.
Depois de ler este livro, um desses executivos pode dirigir-se a um empregado e dizer-lhe mais ou menos isto: "Ouça, você quer ou não deixar de beber? Põe-me numa situação difícil cada vez que se embebeda. Não é justo nem para mim nem para a empresa. Tenho estado a informar-me sobre alcoolismo. Se você é mesmo alcoólico, está muito doente. Você porta-se como um alcoólico. A empresa quer ajudá-lo a resolver o problema e, se você estiver interessado, há uma saída. Se você aceitar, o seu passado não será mencionado e não se fará nenhuma referência ao facto de você ter ido para tratamento. Mas, se você não conseguir ou não quiser deixar de beber, então eu acho que se deve demitir."
Este executivo pode não concordar com o teor deste livro. Isso não é necessário e muitas vezes nem devia mostrá-lo ao possível alcoólico. Mas pelo menos, ele ficará a compreender o problema e não se deixará levar pelas promessas habituais. Ele será capaz de assumir uma posição verdadeiramente justa e leal para com esse homem, e já não terá nenhum motivo para encobrir um empregado alcoólico.
Tudo se resume no seguinte: não se deve despedir um empregado por ser alcoólico. Se ele quiser parar, deve dar-se-lhe uma verdadeira oportunidade. Se ele não conseguir ou não quiser deixar de beber, deve ser despedido. As excepções são raras.
Consideramos que este método de abordagem produzirá resultados positivos. Tornará possível a reabilitação de bons empregados. Ao mesmo tempo você não sentirá relutância em se livrar dos que não conseguem ou não querem parar. O alcoolismo pode estar a causar prejuízos consideráveis à sua empresa em termos de tempo perdido, de homens e de reputação. Esperamos que as nossas sugestões o ajudem a vedar esta fenda que é por vezes muito grave. Consideramos que estamos a agir com sensatez quando insistimos em que ponha fim a este desperdício e dê uma oportunidade ao empregado com valor.
Há dias estabeleceu-se um contacto com o vice-presidente de uma grande empresa industrial. O seu comentário foi o seguinte: "Estou bem contente que vocês tenham conseguido deixar de beber, mas é política desta companhia não interferir com os hábitos dos nossos empregados. Se alguém beber ao ponto de prejudicar o seu trabalho, despedimo-lo. Não vejo em que medida nos podem ajudar porque, como vêem, nós não temos problemas de alcoolismo." Esta mesma companhia gasta milhões por ano em investigação. O custo da produção é calculado até às centésimas. Dispõe de instalações de lazer e faz seguros aos empregados. Há uma verdadeira preocupação com o bem-estar dos empregados, tanto humanitário como económico. Mas quanto ao alcoolismo, eles simplesmente não acreditam que o problema exista.
Talvez seja uma atitude típica. Nós, que em conjunto temos uma vasta experiência do mundo de negócios, pelo menos pela perspectiva do alcoólico, tivemos de sorrir perante a opinião sincera deste senhor. Ele ficaria provavelmente alarmado se soubesse o que o alcoolismo custa à sua organização por ano. Esta empresa tem provavelmente muitos alcoólicos efectivos ou potenciais. Consideramos que muitas vezes os directores de grandes empresas não fazem a mínima ideia da extensão do problema. Mesmo que você tenha a impressão de que não existem casos de alcoolismo na sua organização, pode ser que valha a pena rever a situação mais de perto. Pode fazer descobertas interessantes.
Este capítulo refere-se evidentemente a alcoólicos, pessoas doentes e perturbadas. O que o nosso amigo, o vice-presidente, tinha em mente era o bebedor habitual ou o bebedor das farras. Com respeito a eles, a sua política sem dúvida que resulta, mas ele não fez a distinção entre essas pessoas e o alcoólico.
Não se deve esperar que se dedique tempo demais e atenção fora do comum a um empregado alcoólico. Não se deve dar-lhe uma tratamento especial. O tipo de homem certo, aquele que recupera, não quererá este género de tratamento. Ele não vai abusar. Longe disso. Ele vai trabalhar muitíssimo e ficará agradecido até ao resto da sua vida.
Presentemente sou dono de uma pequena empresa onde trabalham dois alcoólicos que produzem tanto como cinco vendedores normais. E porque não? Têm uma nova atitude e foram salvos de uma morte em vida. Todos os momentos que empreguei para ajudá-los a recuperar têm sido um verdadeiro prazer para mim . *


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